O HOMEM FORTE.

Impavidum ferient...

HORAT.

O modesto varão constante e justo

Pensa e medita nas licções dos sabios

E nos caminhos da justiça eterna

Gradúa firme os passos.

O brilho da sua alma não mareia

A luz do sol, nem do carvão se tisna;

Morre pelo dever, austero e crente,

Confessando a virtude.

Pode a calumnia denegrir seos feitos,

Negar-lhe a inveja o merito subido;

Pode em seo damno conspirar-se o mundo

E renegal-o a patria!

Tão modesto nos paços de Locullo,

Como encerrado no tonel do Grego,

Nem o transtorna a aragem da ventura,

Nem a desgraça o abate.

A tyrannos preceitos não se humilha,

Ante o ferro do algoz não curva a fronte,

Não faz callar da consciencia o grito,

Não nega os seus principios.

Antes, seguro e firme e confiado

No tempo, vingador das injustiças,

Co’os pés no cadafalso e a vista erguida

Se mostra imperturbavel.

Soffre martyr e expira! A patria emtorno

Do seo sepulchro o chora, onde a virtude,

Affeita ao luto e á dor, de novo carpe

Do justo a flebil morte!