O ORGULHOSO.
Eu o vi!—tremendo era no gesto,
Terrivel seo olhar;
E o senho carregado pretendia
O globo dominar.
Tremendo era na voz, quando no peito
Fervia-lhe o rancor!
E aos demais homens, como um cedro á relva,
Se cria sup’rior.
E o pobre agricultor, junto a seus filhos,
Dentro do humilde lar,
Quizera, antes que os d’elle, ver de um Tigre
Os olhos fusilar:
Que a um filho seo talvez quizera o nobre
Para um Executor;
Ou para o leito infesto alguma filha
Do triste agricultor.
Quem ousaria resistir-lhe?—Apenas
Algum pobre ancião
Já sobre o seo sepulchro, desejando
A morte e a salvação.
Alguns dias apenas decorrêrão;
E eis que elle se sumio!
E a lagem dos sepulchros fria e muda
Sobre elle já cahio.
E o barbaro tropel dos que o servião
Exulta com seo fim!
E a turba applaude; e ninguem chora a morte
De homem tão ruim.