O SOMNO.
Nas horas da noite, se junto a meo leito
Houveres acaso, meo bem, de chegar,
Verás de repente que aspecto risonho
Que toma o meo sonho,
Se o vens bafejar!
O anjo, que ao somno preside tranquillo,
Ao anjo da terra não ceda o logar;
Mas deixe-o amoroso chegar-se ao meo leito,
Unir-me a seo peito,
D’amor offegar.
As notas que exhalão as harpas celestes,
Os gozos, que os anjos só podem gozar,
Talvez tambem frúa, se ao meo peito unida
T’encontro, ó querida,
No meo acordar!