OS SUSPIROS.
Mucha pena ¿verdad? mucha amargura
Guardaba allá en sus senos escondida
A despedir-te el alma dolorida,
Hijo de su cariño y su ternura.
ROMEA.
Muitas vezes tenho ouvido,
Como languidos gemidos,
Frouxos suspiros partidos
D’entre uns labios de coral:
A fina tez lhes deslustrão,
Bem como o alento que passa
Sobre o candor d’uma taça
De transparente crystal.
Ouvido os tenho mil vezes
Do coração arrancados,
Sobre labios desmaiados
Susurrando esvoaçar!
Como flôr submarinha
Da funda gleba arrancada,
De vaga em vaga arrastada,
Correndo de mar em mar!
Ouvido os tenho mil vezes,
Em quanto a lúa fulgura,
Quando a virgem d’alma pura
Fita seos olhos no céo:
Notas de mundo longinquo
Repassadas de harmonia,
Diamante que alumia
A tela de um fino véo!
Tu, virgem por que suspiras?
Quando suspiras que scismas?
Em que reflexões te abysmas?
—Do passado ou do porvir;
Mas não tens passado ainda,
Tudo é flores no presente,
Brilha o porvir docemente,
Como do infante o sorrir.
Tu, virgem, por que suspiras?
—Murmura trepida a fonte,
De relva se cobre o monte,
As aves sabem cantar;
O ditoso tem sorrisos,
O desgraçado tem pranto,
A virgem tem mais encanto
No seo vago suspirar!
Suspirar, ó doce virgem,
É da alma a voz primeira,
A expressão mais verdadeira
Da sina e do fado teo!
Vago, incerto, indefinido,
Tem um quê de inexplicavel,
Como um desejo insondavel,
Como um reflexo do céo.
Eu amo ouvir teos suspiros,
Ó doce virgem mimosa,
Como nota harmoniosa,
Como um cantico de amor;
Mais do que a flôr entre as vagas
Sem destino fluctuando,
Folgo de os ver expirando
Em labios de rubra côr.
Mais que a longinqua harmonia,
Que o alento fraco, incerto,
Que o diamante coberto,
Scintillando almo fulgor;
Fólgo de ouvir teos suspiros,
Ó doce virgem mimosa,
Como nota harmoniosa,
Como um cantico de amor!