14
O mar que embala, ás noites, o teu somno
É o mesmo, flor! que á noite embala o meu.
Mas em vão canta a minha ama do Outomno,
Pois pouco dorme quem muito soffreu.
Mas tu feliz qual rainha sobre o throno,
Dormes e sonhas... no que, bem sei eu!
O teu cabello solto ao abandono,
As mãos erguidas de fallar ao céo...
Feliz! feliz de ti, doce Constança!
Reza por mim, na tua voz chymerica,
Uma Avè-Maria de Esperança!
Por minha saude e gloria (Deus m'a dê)
Por essa viagem que vou dar a America...
Quando, um dia, voltar, dir-te-ei porquê!
15
Mamã
Toda a Paz, todo o Amor, toda a Bondade,
Toda a Ternura que de ti me vêm,
Amparam-me esta triste mocidade
Como nos tempos em que tinha Mãe.
Quanto eu te devo! Odios, impiedade,
Indignações e raivas contra alguem,
Loucuras de rapaz, tedios, vaidade,
Tudo isso perdi—e ainda bem!
Salvaste-me! Trouxeste-me a Esperança!
Nunca m'a tires não, linda criança,
(Linda e tão boa não o farás, talvez!)
Pois que perder-te, meu amor, agora,
Ai que desgraça horrivel! isso fôra
Perder a minha Mãe, segunda vez.