NOTAS DE RODAPÉ:

[196] A dolichocephalia dos vasconços hespanhoes e a brachycephalia dos vasconços francezes constam das tabellas publicadas por Topinard e por Quatrefages nos livros L’anthropologie e L’espèce humaine.

[197] Esta opinião tem sido em todos os tempos e pela maior parte dos auctores geralmente seguida. Entretanto o atrazo da philologia e da archeologia peninsulares não permitte ainda formular qualquer demonstração rigorosa. O que por ora se sabe dos costumes e linguagens dos povos que habitavam a Peninsula é tão incerto, que não ha que estranhar vermos na actualidade uns, como Luchaire, sustentarem que o euskara sería a lingua dos antigos iberos que povoavam a Peninsula e a Aquitania, e outros, como Sayce, affirmarem que as inscripções celtibericas não se parecem nada com aquelle mesmo idioma dos vasconços. Vej. La Academia, tom. I, pag. 370 e 238.

[198] Tubino, Los Aborigenes ibericos.

[199] Strabão affirma que os iberos usavam não sómente de muitos dialectos, mas tambem de alphabetos diversos.

Anteriormente aos povos da Peninsula dominados pelos romanos, seis ou cinco seculos antes de Jesus Christo, os tartessos habitavam ao meio-dia, desde o Guadalquivir até ao Segura, ao norte de Carthagena. Os cunétos, visinhos dos tartessos, habitavam ao occidente as margens do Guadiana, e dilatavam-se pelo litoral até ao cabo de S. Vicente.

Ao norte dos cunétos habitavam os kempsos, dilatando-se até aos Pyreneus, pelos arredores da provincia de Guipuscoa.

A leste os gletos entre os Pyreneus e o Ebro. Perto dos gletos, no interior das terras, os vascões sobre o Ebro, e os ceretos ao pé dos Pyreneus.

No litoral do Mediterraneo, ao sul dos Pyreneus, os indiketòs.

No interior das terras, entre os tartessos ao meio-dia, os gletos ao norte, e os kempsos a oeste, habitavam os etmanei da Ora maritima, talvez os mesmos que os edetarios de Strabão, os quaes mais tarde viriam ás praias do Mediterraneo.

No VI seculo antes de Christo os liguros occupavam os dois extremos da cordilheira dos Pyreneus, a leste perto de Ampurias, a oeste as cercanias de Bayona. Dilatar-se-hiam até ás fontes do Betis ou Guadalquivir, onde era a lagôa ligustica. D’Arbois de Jubainville, Les premiers habitants de l’Europe. Pariz, 1877.

Mais tarde, entre outros, acham-se mencionados pelos auctores os povos seguintes, dos quaes alguns nomes manifestamente correspondem aos anteriores: arevacos, astures, ausetanos, autrigones, bargusios, bastitanios, berones, caristios, carpetanos, celtiberos, cerratanos, coniscos, contestanos, cosetanos, cimeos, ilergetes, icarcitanos, indigetes, lacetanos, laletanos, lusones, murgobos, obcades, pelendones, pesicos, tartesios, turdetanos, turdulos, vacceos, vardulos e vettones. Lafuente, Hist. gen. de España, tom. I, Apend.

[200] Rougemont, L’âge du bronze, pag. 168 e seg.

[201] Mithridates, 101, cit. por D’Arbois de Jubainville.

[202] D’Arbois de Jubainville, Les premiers habitants de l’Europe. Pariz, 1877, pag. 304 a 307.

[203] Tal é o systema recentemente proposto e defendido por D’Arbois de Jubainville no livro citado.

[204] Strabão, lib. III, cap. 4.º, § 19.º

[205] N’este systema os iberos differençar-se-hiam dos tartessos, cunetos e kempsos, e comprehenderiam os glétos, os ceretos, os vascões e os indiketos.

[206] Citados por Masdeu, Historia critic. de España, tom. II, pag. 303 e 304.

[207] D’Arbois de Jubainville op. cit.

[208] Seneca, Consolatio ad Helviam.

[209] Thucydides, I, VI, cap. 2.º

[210] Avieno, Ora maritima.

[211] Edição Westermann, pag. 184, cit. por D’Arbois de Jubainville, pag. 242.

[212] D’Arbois de Jubainville, op. cit., pag. 241.

[213] Tacito, Agricola, cap. II. Avieno, Ora maritima, vers. 433.

[214] Ad Contubernales. Carm. XXXVII.

[215] Seguimos o mesmo methodo, que tão vantajosamente Lyell applicou á geologia. Apesar da diversidade de condições em que operam as forças physicas e o homem, ainda n’este caso se prova a analogia das invasões historicas. Identidade não ha, como entre as causas geologicas actuaes e as antigas. Mas essa mesma analogia nos basta para as conclusões a que pretendemos chegar.

[216] Quatrefages, L’espèce humaine.

[217] Com factos, citados por Lyell e Quatrefages, se demonstra a existencia da navegação atlantica na epoca da pedra polida. Já os mencionámos a pag. 105 d’este livro.

[218] Mimaut, Histoire de Sardaigne, citado no Bulletin de la Société d’anthropologie de Paris, tom. 5.º, pag. 22.

[219] Rougemont, L’âge du bronze, pag. 73.

[220] Tubino, Los aborigenes ibericos.

[221] Revue d’anthropologie, 1875, pag. 507. La Academia, 1877, pag. 184 e 185. As explorações feitas nas nuraghas e talayots não têem sido taes que próvem evidentemente a coincidencia da construcção d’estes monumentos, ou dos mais antigos, dentro dos limites da idade da pedra. As armas de silex até hoje encontradas não bastam, porque muitas vezes acontece apparecerem taes vestigios misturados com os do cobre ou do bronze, como ainda ha pouco tempo, nas explorações de Schliemann no sitio de Troia. É possivel tambem que, ao tempo em que os povos orientaes da Peninsula, mais avançados na estrada da civilisação estivessem já na epoca do cobre ou do bronze, os occidentaes vivessem ainda na idade da pedra. E assim se explicaria o achado de uma frecha de cobre nas grutas da Cesareda, unico documento de uma civilisação, posterior á de todos os outros vestigios encontrados.

Mas, para se dar como provada esta discordancia, isto é, que os povos do oriente estariam já na epoca do cobre ou do bronze, quando os do occidente não teriam ainda ultrapassado os limites da epoca neolithica, sería mister emprehender mais numerosas e methodicas explorações, tanto das construcções dolmenicas ao occidente como das cyclopeas ao oriente.

[222] Tubino, Estudios prehistoricos. Madrid, 1868, pag. 98 a 106. Pereira da Costa. Noticia de alguns martellos de pedra e outros objectos que foram descobertos em trabalhos antigos da mina de cobre de Ruy Gomes no Alemtejo. No Jornal de sciencias mathematicas, physicas e naturaes. Lisboa, 1868, n.º V.

[223] Tubino, op. cit.

[224] W. H. Holmes, A notice of the ancient ruins of southwestern Colorado, examined during the summer of 1875. United states geological and geographical survey of territories. Washington, March, 21, 1876.

[225] Gongora, Antigüedades prehistoricas da Andalucia.

[226] Vej. a classificação das linguas por Max-Müller no Diction. univers. du XIX siècle, verb. Langage.

[227] Fragm. histor. graecor., tom. 2.º, pag. 180.

[228] Lenormant, Les premières civilisations, tom. 1.º, pag. 107.

[229] Herodot. Histor. lib. V.

[230] Strab. Geograph. lib. III.