SCENA III

MARQUEZ, URBANO, CUESTA, pelo fundo

Cuesta

(entra com mostras de cançaço, tira do bolso a carteira de negocios, e dirige-se á mesa) Marquez... Tudo bom por cá?

Marquez

Oh! grande Cuesta! que nos conta o nosso incançavel agente?

Cuesta

(senta-se. Revela um padecimento de coração) O incançavel... começa a cançar.

Urbano

Homem! e que me dizes da alta d’hontem no Amortisavel?

Cuesta

Veio de Paris com dois inteiros.

Urbano

Fizeste a nossa liquidação?

Marquez

E a minha?

Cuesta

Estou com isso... (Tira papeis da carteira e escreve a lapis) N’um instante saberão as cifras exactas. Tirou-se todo o partido que se podia tirar da conversão.

Marquez

Naturalmente... Sendo o typo de emissão dos novos valores 79,50... tendo nós comprado por preço muito baixo o papel recolhido...

Urbano

Naturalmente...

Cuesta

O resultado foi enorme.

Marquez

Querido Urbano, esta facilidade com que se enriquece é positivo que dá o amor da vida e o enthusiasmo da belleza humana. Vamos para o jardim.

Urbano

(a Cuesta) Vens?

Cuesta

Preciso de dez minutos de silencio para pôr em ordem os meus apontamentos.

Urbano

Deixamos-te em socego. Não queres nada?

Cuesta

(abstrahido nas suas contas) Não... quero dizer... Sim: manda-me vir um copo de agoa. Estou abrasado.

Urbano

Immediatamente. (Sae com o Marquez para o jardim)