SCENA IX
MAXIMO, MARQUEZ E ELECTRA. No fim da scena, RICARDO
Maximo
Entre, Marquez.
Marquez
Maximo... (Olhando em redor, desconsolado) E Electra?
Maximo
Na cosinha. Foi buscar-nos café.
Marquez
Na cosinha! Continua-se vivendo então n’esta casa como na ilha de Robinson? Ahi está o que não comprehendo: como tendo você lá em cima todos os confôrtos d’um palacio...
Maximo
É muito simples... O trabalho e o habito do estudo enclausuram-me aqui. Puz os pequenos ao lado da officina para os ter ao pé de mim; e, reduzindo o mais que me foi possivel a minha orbita d’acção, para aqui me fiquei, recluso no dever que me impuz, como um asceta na estreiteza da sua gruta.
Marquez
Sem nem sequer se lembrar de que é rico...
Maximo
A minha riqueza é a singeleza, o meu luxo é a sobriedade, o meu repouso é o trabalho, e assim viverei emquanto viver só...
Marquez
Não tardará então muito em mudar de vida... Precisamente lhe venho contar... (Entra Electra com a bandeja contendo o serviço e a maquina de café) Oh! a deusa do lar!
Electra
(adeanta-se cautelosa de que não caia alguma peça) Por Deus, Marquez, não me ralhe.
Marquez
Eu ralhar?
Electra
Nem me faça rir... para não haver um desastre. Sentido! (O marquez pega na bandeja)
Marquez
Aqui me tem para companheiro de infortunios... Ainda então lhe parece que eu seja dos que ralham? Eu sou dos que explicam. Mas não pertencem a esta seita os senhores ali do outro lado do jardim...
Electra
Os tios.
Marquez
A noticia do lindo idyllio, que se está passando aqui como na inverosimilhança de uma tapeçaria ou de um panno de leque, lá chegou já á distribuição dos premios em Santa Clara, onde a estas horas estará deliberando o conclave. As suas resoluções serão terriveis.
Electra
A Virgem Maria me valha!
Marquez
Socegue...
Maximo
Isso tem de ser agora commigo.
Marquez
Será comnosco. O seu café, minha menina, está digno de Jupiter, pae dos deuses: é do que elles tomam no olympo, aos domingos.
Maximo
Segue-se, Electra, que em vez de regressar sósinha, teremos de ir ambos levar-te aos snrs. de Yuste.
Ricardo
(assumando á porta da esquerda) Snr. D. Maximo, o branco incipiente!
Electra
(com inconsciente alegria infantil) A fusão!
Maximo
(a Ricardo) Não posso agora. Chama-me quando chegar o branco resplandecente. (Ricardo sae)
Marquez
Peço licença... (Tendo-se servido de vinho) Eu brindo o hymeneu dos metaes, saudando os cadinhos do magico prodigioso.