SCENA XIV
ELECTRA, EVARISTA, MARQUEZ E MAXIMO
Marquez
Tardamos?
Evarista
Não. Estiveram no laboratorio?... (Formam-se dois grupos: Electra e Maximo á esquerda; Evarista e o Marquez á direita.)
Marquez
Lá estivemos. É um prodigio este homem... (Segue falando no que viu)
Electra
(suspirando) Sim, Maximo, preciso de consultar-te sobre um caso grave.
Maximo
(com vivo interesse) Conta depressa!
Electra
(receosa olhando para o outro grupo) Impossivel agora.
Maximo
Quando então?
Electra
Não sei... Não sei quando t’o poderei dizer... Não se resume em quatro palavras...
Maximo
Pobre rapariga!... O que eu te predisse... Chegam as seriedades da vida, os deveres, as amarguras...
Electra
Talvez.
Maximo
(olhando-a fito, com grande interesse) Na expressão da tua physionomia ha um veu de tristeza e um estremecimento de susto... Desconheço-te.
Electra
Querem annular o que eu sou, e reduzir-me a outra coisa... a uma coisa angelical e celeste, que não sei o que é!
Maximo
(vivamente) Por Deus, não consintas isso! Defende-te, Electra.
Electra
Que me aconselhas?
Maximo
(sem vacillar) A independencia.
Electra
A independencia!
Maximo
Sim, a emancipação... N’uma palavra: Insurge-te!
Electra
Queres dizer que faça quanto me vier á cabeça, que danse, que pule, que corra pelo parque emquanto me appeteça, que entre na tua casa como em paiz conquistado, que conspire com os teus pequenos, que fuja com elles para o jardim, para longe, para onde eu quizer?...
Maximo
Tudo!
Electra
Olha o que dizes!?...
Maximo
Digo-te isto.
Electra
Mas é o contrario que me tens recommendado sempre!
Maximo
(olhando-a fixamente) Na tua cara, no vinco dos teus sobrolhos, na tremura da tua bocca, eu vejo que estão radicalmente transformadas as condições da tua vida. Tu agora tens medo.
Electra
(medrosa) Tenho, sim.
Maximo
Tu... (Hesitando no verbo que ha de empregar. Vae a dizer amar, mas não ousa) Tu queres ardentemente que alguma coisa succeda...
Electra
(com effusão) Quero. (Pausa) E dizes-me tu que contra o medo... a insubordinação.
Maximo
Sim: solta livremente todos os teus impulsos para que quanto ha em ti se manifeste, e se saiba quem tu és.
Electra
O que eu sou? Queres conhecer...
Maximo
A tua alma...
Electra
Os meus segredos...
Maximo
A tua alma... N’ella se comprehende tudo.
Electra
(notando que Evaristo a observa) Basta... Olham para nós.