SCENA XVI
OS MESMOS E BALBINA, que interrompe bruscamente a scena, entrando pela esquerda, pressurosa e suffocada
Balbina
Minha senhora! Minha senhora! (Suspensão geral)
Todos
(menos Electra) Que é?
Balbina
Ai! o que a menina foi fazer!
Electra
(áparte, batendo o pé) Descobriram-me!
Balbina
Santo nome de Jesus!... Do que ella se havia de lembrar!... (rindo) Não, que uma coisa assim!... Em nome do Padre...
Evarista
(impaciente) Acaba...
Electra
Eu confessarei, se me deixam. Foi que...
Balbina
Foi a casa do snr. D. Maximo, e roubou-lhe... com muita graça, mas roubou...
Urbano
O quê?...
Balbina
O menino mais pequeno! (Olham todos para Electra, que promptamente se recompõe do susto e assume uma altitude serena e grave)
Evarista
(a Electra) Isto que vem a ser?
Pantoja
Electra!
Balbina
Estava o menino dormindo muito socegadinho. A senhorita e a maluca da Patros entraram pela casa dentro, ás escondidas e em bicos de pés... Embrulharam-o, muito bem embrulhado, e fugiram com elle para cá.
Evarista
É inacreditavel.
Pantoja
(reprimindo a sua irritação) E não é decente.
Electra
(com effusão) Tia! pois se nos queremos tanto, tanto d’alma!... eu a elle e elle a mim!
Marquez
(enthusiasmado) Que exemplar mulher!
Cuesta
Merece todo o perdão.
Evarista
Maximo estará furioso a estas horas...
Balbina
O José já para lá foi a correr...
Urbano
E a creança onde está?
Balbina
Está no quarto da Patros. A menina escondeu-o lá até que ella de noite lh’o leve para dormir com a menina. (Sorrisos dos homens, menos de Pantoja) O menino acordou ha um momento, e a Patros quiz dar-lhe um biscouto para o entreter... Eu, que o ouço, acudo, e vejo-o... Virgem Maria! Quiz pegar n’elle... Qual! estrebuchou e bateu-me... Tive de lhe dar uma palmadinha tambem...
Electra
(correndo para a esquerda com um impulso instinctivo) Oh! meu querido amorsinho!
Pantoja
(procurando contel-a) Não.
Evarista
(segurando-a por um braço) Espera.
Balbina
(á porta da esquerda) Ainda se ouve chorar.
Electra
Pobresinho d’elle!
Evarista
Que o levem para a sua casa.
Electra
Ninguem lhe toque... Ninguem se atreva a tocar-lhe... É meu. (Desprende-se á força de Evarista e de Pantoja, que querem contel-a, e sae de uma corrida pela esquerda)