SCENA XVIII
OS MESMOS E ELECTRA, pela esquerda, trazendo nos braços o menino, que tem pouco mais ou menos dois annos
Electra
Queridinho da minh’alma!
Evarista
Deixa o menino, e vamo-nos.
Urbano
São horas.
Cuesta
(ao marquez) Eu, pela minha parte, acho que é um rasgo de maternidade. E applaudo-o.
Marquez
Eu digo que é um lance angelico. E adoro-o.
Evarista
(querendo pegar no menino) Então, Electra?
Electra
(em passo ligeiro afasta-se dos que querem tirar-lhe o pequerrucho. Este abraça-lhe o pescoço) Não, não posso deixal-o agora.
Evarista
Balbina, pega n’esse menino.
Electra
(passa de um lado para o outro, procurando um refugio) Não! e não!
Urbano
Dá-m’o a mim.
Electra
Não!
Pantoja
(imperioso, a José) Pegue n’elle, José.
Electra
Não, já disse!... Ninguem lhe toca... É meu.
Evarista
Mas, filha, se temos de sahir!
Electra
Saiam! vão com Deus. (Vendo que o chapeu a inhibe de abraçar e beijar o seu amiguinho, arranca-o rapidamente da cabeça e atira-o para longe. Continúa a passear o menino, fugindo dos que lh’o querem tirar, e, sem ouvir, falando com o pequerrucho, que lhe deita os braços ao pescoço e a beija) Dorme, dorme, meu amor. Não tenhas medo, filhinho... Dorme, que não te largo.
Evarista
Então vamos ou não vamos?
Electra
Eu não vou... Tens fome? tens sede, meu anjo? Eu te acalentarei... Deixa berrar esses egoistas todos, que se não lembram de que não tens mãe!
Pantoja
Mas tem quem olhe por elle.
Evarista
Basta! (Imperiosa, aos creados) levem-o para a sua casa.
Electra
(resolutamente, sem deixar que toquem na creança) A casa! a casa! (Com passo decidido, sem olhar para ninguem, corre para o jardim e sae. Seguem-a todos com a vista, indecisos, não ousando dar um passo para ella)
Pantoja
Que escandalo!
Evarista
Que loucura!
Marquez
Que juizo! o juizo mais perfeito da mulher! Achou o seu caminho.
FIM DO SEGUNDO ACTO