O SUSPIRO

Vai, terno Suspiro meu,
Ligeiro fendendo o ar,
Nos labios da minha amada
Saudosamente expirar.

Mas primeiro, o meu suspiro,
Brando gira ante o meu seio,
E podes alguns momentos
Alli pousar sem receio.

N'esse logar delicioso
Espreita a mais leve acção:
Indaga attento por quem
Suspira o seu coração.

Se um só ai do peito amante
Lhe escapar e me pertença,
Então, então não expires,
Vem trazer-m'o sem detença.

Mas se aleivosa comigo
A outrem seu ai mandar,
Então nos labios da ingrata
Tu deves logo expirar.

Nada mais lenho a dizer-te,
Corre, vôa onde te ordeno,
Brandos zefiros te guiem,
Conserve-se o ar sereno.