AO LONGE OS BARCOS DE FLORES
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na escuridão tranquilla,
—Perdida voz que de entre as maís se exila,
—Festões de som dissimulando a hora.
Na orgia, ao longe, que em clarões scintilla
E os labios, branca, do carmim desflora…
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viuva, gracil, na escuridão tranquilla.
E a orchestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detem. Só modulada trila
A flauta flebil… Quem ha-de remil-a?
Quem sabe a dôr que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora…