SCENA II

PANTALEÃO, DOIS CREADOS, E OS TAMBORILEIROS

Entram ao terreiro e páram tocando em frente da porta trez tamborileiros, um de bombo, e os outros com caixas de rufo. Pouco depois abre-se a porta, e sáe PANTALEÃO, com dois creados de lavoura, um dos quaes distribue canecas de vinho, que despeja d'um pichel vermelho, pelos tamborileiros, que se descobrem.

1.º Tamborileiro (o do Zabumba)

Biba o incelentissimo morgado a mai'la snr.ª morgadinha!

Os trez

Biba por muitos annos, biba!{17}

Pantaleão

Olé! rapazes! Com que vossês já se vão chegando ao arraial?..

1.º Tamborileiro

Ó promeiro, vamos tocar ós mordomos do Snr. San Joon, que tem festa d'arromba este anno; e ós despois la bamos pr'ó arraial com Deus. (Ouve-se ao longe a toada das cantadeiras que cantam o S. João.)

Pantaleão

Bebam; mas não se encarraspanem como no anno passado.

2.º Tamborileiro (rindo alvarmente)

É berdade, fedalgo! Aquillo é que foi perua! Indas m'alembra!{18}

Pantaleão

Pois vê lá se arranjas outra que te faça esquecer a do anno passado.

3.º Tamborileiro (bebendo)

Enton la bai á saude de Vossenhoria, a mais da snr.ª morgadinha.

1.º e 2.º Tamborileiro

A mesma.

Pantaleão

Querem mais? bebam.

1.º Tamborileiro

Non faz minga.

Pantaleão

Então, rapazes, adeus. Lá nos veremos na romaria.{19}

Os tres Tamborileiros

Biba o fedalgo, e mai la obrigaçon. (Sáem rufando estrondosamente: cessa o estrondo pouco depois.)