SCENA VIII
PANTALEÃO E A MORGADINHA
Pantaleão
Perdi a cabeça!.. Estou doudo... não sei o que vinha aqui fazer!.. Ah!.. onde está a pianista, que está alli fóra o marido á espera...
Morgadinha
A pianista?..
Pantaleão
Sim, a pianista onde está?.. (Olha para o chão, tropeçando no vestido de mulher) Que é isto? (levantando o chapéo e os caracoes) Que é isto?! que é isto, Joanna?..
Morgadinha (afflicta)
Isso? Ah! meu pae, que eu morro, se me apoquenta muito!..{131}
Pantaleão
Então a pianista era... era o escrivão?!..
Morgadinha (soluçando)
Era, sim, snr.!
Pantaleão
Que sucia de tratantadas se passam n'esta casa!.. e eu a conversar com o patife do logista que se dizia o marido d'esse velhaco!..
Morgadinha
É meu espôso... perdôe-nos...
Pantaleão
Tu és o demonio, mulher!
Morgadinha
Sou uma infeliz apaixonada... O meu papá,{132} tenha piedade! Olhe que o Frederico é muito bom môço. Se não é fidalgo hoje, póde sêl-o ámanhã. O papá bem sabe que os fidalgos agora se fazem d'um dia pr'ó outro.
Pantaleão
Ergue-te, ingrata, que déste cabo de teu pae! (Rompe a musica pelo interior da casa, com grande vozeria, tocando o hymno.)