ALMA DE VACA.
Noitebó que esvoaçaste
No meu ceo d'alva illusão;
E na chaminé pousaste
Deste ardente coração;
Que mal te fiz, pulga d'alma,
Que mordes, sem compaixão?
Dona Eusebia, gança amada,
Que picaste a minha flor,
Tão do intimo orvalhada
Pelos prantos desta dôr,
Dona Eusebia não me piques
Esta alcachofra d'amor!
Gata brava, não me bufes
Esta luz d'aspiração;
Por quem és, tu não me atufes
Dona Eusebia d'Assumpção,
Nos abysmos insondaveis
D'assanhada ingratidão!
Tu chamaste-me pangaio,
Quando eu quiz um riso teu!
Fulminou-me um impio raio,
Minha aspiração morreu!
Ai! Natercia de chinelos,
Serei eu
pangaio?
eu!!
Tens no peito ingrata, um chato
Coração de melancia.
Tanto tempo fui teu gato,
Gato d'amor e poesia!
Dona Eusebia, alma de vaca,
Morras tu de hydropesia!