III.

As saudes já começam.

É um gosto agora vêl-os.

Estas caras representam

Tomates de cotovêlos.

E, a travez do escarlate

Do legitimo tomate,

Transsuda um oleo que brilha,

Cada qual tem as orelhas

Encarniçadas, vermelhas

Como as azas d'uma bilha.

Pega no copo, e exclama

O barão das Pimpinelas:

«Vito serio! um home fala

Sem preamblos nem aquellas!

Á saude e alegria

Desta bella companhia

E com toda a estifação!

P'ra que todos cá binhamos

Estifeitos como bamos

De casa do sôr barão!»

E os hurras retumbaram

Pela sala do festim.

Balthazar nos seus banquetes

Não ouviu gritar assim!

Sobre a mesa deram murros,

Saudaram com grandes urros

O barão dos Alcatruzes;

Mas alguns com magua sua,

Já cuidavam ver a lua,

Não podendo vêr as luzes.

Mas, entre elles, um existe,

Litterato em seu conceito.

A palavra pede, e reina

Um silencio de respeito.

Elle diz: «Risonhas gallas

Que refrangem n'estas salas

Repercutem, symbolisam

Acrimónias insoluveis,

Nos acrósticos voluveis

D'epopeas que eternisam.

Pandemonios exhauriveis

D'indeleveis congruencias.

Requintados se escurecem

Nos imporios das sciencias

E liberrimos se escudam

Nas façanhas que transsudam

Em fantasiosas luzes.

E, por tanto, a mais alludo,

Quando, fervido, saudo

O barão dos Alcatruzes!»

Succedeu o grito ao pasmo!

Nunca se viu cousa assim!

O orador foi abraçado

Com furor, com frenezim!

«Isto é qu'é!» dizia um,

Convertido em rubro atum,

Betarraba até não mais.

«Viva Cissro!» outro dizia,

Despejando a malvazia,

Com grasnidos infernaes.