II.
N'um salão vasto, opulento,
Um banquete se vai dar;
Nos christaes reflecte o ouro,
A fulgir, a scintillar.
Os rubis, e a côr da opala
Transfiguram esta sala
Em olympicas mansoens.
Mas a alma cae por terra,
Quando vê que alli se encerra
Duzia e meia de baroens.
Da terrina a caudal sopa
Em silencio é devorada.
Só então fingiram d'homens,
Porque não disseram nada.
Mas venceu a natureza!
Um barão por sobre a mesa
Estendendo o prato, diz:
«Ó compadre! isto é qu'é bô!
Venha sopa, e acabô!
Cá de mim, torno á matriz!»
O barão de Cogumelos
Junto estando á baroneza,
Que se diz dos Sacatrapos,
Quiz fazer-lhe uma fineza.
Arrastou p'ra junto d'ella
Um pirum, e a cabidela
No prato lhe despejou.
E lhe diz: «cá isto é nosso;
Cousa que não tenha osso
É p'ró estamago, e arrimou!»
Outro diz á gorda esposa,
Que bem perto de si tem:
«Bai-lhe bebendo po'riba,
Ó mulher, come-lhe bem!»
Este pede ao seu visinho:
«Que lh'atice bem no binho
Qu'é da belha companhia.»
Diz aquelle ao seu fronteiro:
«Que lhe chegue um frango inteiro
E biba a sancta alegria!»