O SEU A SEU DONO.

A Cesar o que é de Cesar,

Aos velhos o que é dos velhos!

Quem da crytica se encarga,

Deve andar estrada larga

E não metter-se por quelhos.

Sou assim! E mais sou velho

Mas a verdade é tambem,

Custe embora a quem custar,

A verdade hei-de-a fallar

Seja em mal, ou seja em bem.

Epaminondas Tebano,

A

Concordia

e o

Nacional

,

Nem a rir disseram petas:

Eu tambem como as gazetas,

Sou da honra o pedestal.

Não consinto que se diga,

Que só lavra a corrupção

Nas entranhas dos mancebos.

Eu conheço muitos gebos

Corruptos de profissão

Quem quizer venha ao

Palheiro

Desta nossa Assemblea,

Ha-de vêr linguas farpadas

Em bocas já desdentadas

Maculando a honra alheia.

Ha-de vêr velhos devassos

Como em lubrica orgia,

Já vergados nas cernelhas,

Memorando infamias velhas

Com satanica alegria.

Ha-de vêr o extincto frade,

C'o a bochecha rubra e gorda,

Acerando o epygramma,

Nem se quer poupando a

ama

,

Que lhe faz em casa a sôrda.

Ha-de vêr o millionario

Brazileiro, com mil tretas,

A contar, com sujas cores,

As lendas dos seus amores

Com as

suas

trinta pretas.

Estes taes são os que infamam

A mocidade infeliz!

São estes em cuja tez

O oleo da estupidez

É da vergonha o verniz.

A mocidade não pode

Vencêl-os, não pode, não!

Dominam, são respeitados,

Representam vinculados

Os tempos da corrucção.

Nascidos, quando por terra

Os homens lançaram Deus;

Tem só fé no sensualismo,

E escarnecem com cynismo,

As crenças filhas dos ceus.

Gangrenado o corpo e alma,

Sem saber, e sem piedade,

São authomatos de barro,

Que resistem ao catharro

Pr'a vexar a humanidade.

Onde existe a virgem pobre,

Que de maguas vive cheia,

Lá vai ter uma mensagem

Da senil libertinagem,

Que o pudor lhe regateia.

Perguntai nesses alcouces

De miseria e compaixão,

Quantas victimas da fome

A deshonra ahi consomme,

E de quem victimas são.

Heis d'ouvir factos nojentos

Destes velhos que se arrastam

Sobre a lama das torpezas,

Das luxurias e villezas

Em que, cynicos, repastam.

Velho sou, bem alto o disse;

Mas deshonro-me de ser

Desta geração de velhos,

Em que os moços tem espelhos

Onde infamias possam ver!

Mocidade generosa!

Os teus crimes, tem nobreza;

Quando falla a consciencia,

Nem negaes a Providencia,

Nem manchaes a natureza.

Elles não; sempre atufados

Em nojentos tremedaes,

Crêem só no seu dinheiro,

No cavaco do

palheiro

,

Na barriga, e nada mais.

A Cesar o que é de Cesar,

Aos velhos o que é dos velhos!

Quem da crytica se encarga,

Deve andar estrada larga,

E não metter-se por quelhos.