RANCHO DA CARQUEJA
São justas as reflexões do estudioso antiquario o snr. Joaquim Martins de Carvalho, redactor do Conimbricense.
Agora direi os argumentos, bem que menos valiosos, em que eu assentava o meu erro.
Em 1805 divulgou-se em Vizeu um poema ou pasquim, injuriando os magistrados. Houve devassa e um dos pronunciados foi o doutor Ferro, que viveu no Porto, e aqui falleceu ha vinte annos, deixando, como prova do seu mal empregado engenho, um notavel poema que diz respeito á invasão franceza.
Em um volume de manuscriptos, tenho a celebrada satyra do Ferro, precedida da seguinte nota: Este libello é dedicado á memoria do Estopa e Carqueja, dous heroes que tudo levavam a pau e espada em Vizeu, ahi pelos annos de mil setecentos e tantos, e de um d'esses valentões tomaram o cognome os estudantes de Coimbra chamados o Rancho do Carqueja.
Isto não obstante, a correcção do snr. Martins de Carvalho deve antepor-se, visto que a sentença condemnatoria diz: «Rancho que denominaram DA Carqueja, originando este nome de haverem queimado com ella uma porta, etc.»