BIBLIOTHECA DE ALGIBEIRA


NOITES DE INSOMNIA

OFFERECIDAS

A QUEM NÃO PÓDE DORMIR

POR

Camillo Castello Branco


PUBLICAÇÃO MENSAL


N.º 9—SETEMBRO


LIVRARIA INTERNACIONAL
DE
ERNESTO CHARDRON
96, Largo dos Clerigos, 98
PORTO
EUGENIO CHARDRON
4, Largo de S. Francisco, 4
BRAGA

1874


PORTO

TYPOGRAPHIA DE ANTONIO JOSÉ DA SILVA TEIXEIRA

68—Rua da Cancella Velha—62


1874

BIBLIOTHECA DE ALGIBEIRA


NOITES DE INSOMNIA


SUMMARIO

[Os salões, pelo exc.mo visconde de Ouguella][Condemnação de corpo e alma][O doutor Botija][O palco portuguez em 1815][Bibliographia (Senna Freitas, Cunha Vianna, Monsenhor Joaquim Pinto de Campos)][Que segredos são estes]


[OS SALÕES]

Os capitulos, assim intitulados e publicados nestes livrinhos, vão ser reproduzidos em volume com outros, complementares da obra. Teremos, pois, um livro de mão primorosa, de extenso folego, portuguez na fórma, bem que estranho á indole nacional. Entre portuguezes, os estudos sociaes, profundos e largos, não se ajustam á irrequieta vertigem dos que navegam de costeagem com o baixel da politica.

Aqui proeja-se ao descançado porto das situações gananciosas, e deixa-se ao acaso resolver os problemas.

O snr. visconde de Ouguella revelou-se n'este severo estudo um espirito de grande alcance, e discipulo dos que melhormente professam a sciencia historica. Se algumas vezes a sua penna roça asperrima na crusta das ulceras que lhe fazem nauseas, resgata-se briosamente avoando ás regiões altas, no rasto luminoso das augustas verdades.

O livro, que ha de ser a affirmação da honrada consciencia que nunca, desde a primeira mocidade, apostatou da religião do berço, é dedicado a uma formosa criança, Ramiro Soares de Oliveira da Silva Coutinho, filho do snr. visconde de Ouguella.

São maviosas de affecto paternal e de nobre civismo estas expressões que o pai dirige á alma que se está formando entre as caricias de uma familia virtuosa: É incentivo, estimulo e lição, para seguir, como luzeiro e farol do seu futuro, as nobilissimas tradições liberaes, legadas por seu avô, e meu presadissimo pai, Ricardo Sylles Coutinho. Seja este tambem o testemunho do meu acrisolado amor filial.

O prefacio que precede os Salões é igual a elles na elevação e rigidez da idéa, no donaire e esplendor da linguagem; mas avantaja-se ao restante como prognostico dos brilhantes capitulos que hão de proceder de tão desprendido e intransigente programma.

São raros em Portugal os escriptores que, á imitação do visconde de Ouguella, podem enlaçar a independencia com o talento, e esculpir no frontal do templo, onde os vendilhões armam tenda de bufarinheiros a legenda, que lhe compete.

Eis o prefacio: