SCENA VI

OS MESMOS, D. EUGENIA E PEDRO ARANHA

D. Eugenia

Eu andava procurando V. Ex.as Fogem do bulicio? tomára eu tambem fugir.

Pedro (a D. Eugenia)

A snr.ª viscondessa é hoje muito generosa com V. Ex.ª{120}

D. Eugenia

Sim? pois quando deixou de ser generosa a snr.ª viscondessa?

Pedro

Se V. Ex.ª quizer, despovoa-lhe as salas onde se dança. Basta annunciar-se que a snr.ª viscondessa está aqui derramando as perolas do seu espirito.

Viscondessa

Cuida que está lisongeando uma femme savante de Moliere este Trissotin em formato pequeno! este snr. Aranha que tem mais peçonha que o appellido quando quer ter um espirito de ventosa.

Pedro

Eu sou das aranhas que não tecem a sua teia em todas as ruinas.{121}

José de Sá (áparte)

Bravo! estão bonitos!

D. Eugenia (ouve-se a orchestra)

Vai dançar-se, snr.ª viscondessa.

Viscondessa

Eu não vou dançar, minha querida. Fico por aqui a reconstruir o passado com o auxilio das reminiscencias do snr. conselheiro Sá. Estou a imaginar-me com vinte e dois annos. Isto é bom e innocente recreio. Se a gente retrocede alguns annos, acha-se em sociedade de menos parvos.

D. Eugenia (a Jorge)

E V. Ex.ª está triste?

Jorge

Ó minha senhora, não...{122}

D. Eugenia

Está; pois eu não vejo? Parece-me que ama tanto os bailes como o pae de Rodrigo e como eu...

Pedro (ao novo signal da mazurka)

Vamos, minha snr.ª? (Sahem. Movimento dos pares atravessando no corredor).