SCENA VII

D. ALBERTINA E FRANCISCO VALLADARES

Francisco Valladares extremamente magro e pallido, caminhando a custo. Veste um rob de chambre

D. Albertina (tomando-lhe o braço)

Pois tu levantas-te, meu filho?

Francisco de Valladares

Estou bom... não vês, Albertina? Sinto-me forte. (Senta-se prostrado).

D. Albertina

Ardem-te as mãos... Que imprudencia! O medico consentiu que te levantasses?

Francisco de Valladares (após uma longa pausa, em que conserva o rosto escondido nas mãos)

Quero sahir. O dia está sereno.{232}

D. Albertina

Pois tu queres sahir em convalescença tão arriscada?! Não vês que pódes recahir!

Francisco de Valladares

A recahida é a cura. Onde uma sepultura se fecha, fechou-se a bôcca d'um abysmo. A morte quando se aproxima é bella; só vista ao longe, é horrivel. (Ergue-se) Estou vigoroso. Vou a Cintra. Que tirem a caleche.

D. Albertina

Pela tua vida te rogo que não vás, meu querido filho.

Francisco de Valladares

A minha vida!.. por que me não pedes antes pela minha honra?

D. Albertina

Pois sim, peço-t'o pela tua honra...{233}

Francisco de Valladares

E pela tua...

D. Albertina (com dignidade)

O quê? Que me pedes tu?

Francisco de Valladares

A ti?.. que me deixes morrer...

D. Albertina (muito commovida)

E tu queres morrer?

Francisco de Valladares

Honrado.{234}