X

É meia noite e um quarto no relogio da Lapa.

A casta lua dá a sua luz poetica a muitas impudicicias, e tolera o escandalo resignada. Casta lhe chamam os poetas, e é bem posto o epitheto. Só ella seria capaz de manter-se pura com tantos exemplos de corrupção. De mim creio que a tem salvado a distancia que a separa dos bardos que a namoram; e, se não é a distancia, é a impertinencia das cartas rimadas que lhe mandam. Muitas mulheres, menos castas que a lua, teem sido salvas pelo mesmo theor. Os poetas, que amam em verso, são uns puros desinfectantes da putrida impureza. Se todos fizessemos versos, e nos amassemos em oitava rima, eu lhes asseguro que este globo era um viveiro de anjos. A theoria de Hobbes seria uma calumnia, e a de Maltus um absurdo. Não andariamos travados em permanente lucta, nem a exuberancia da propagação assustaria os economistas. Havia só o risco de nos matar a fome; mas cada cysne teria um canto derradeiro com que esforçar a guerra á prosa que inventou{100} os cereaes, o boi cozido, as acções do banco e a troca de um romance por quinhentos réis.

Isto occorreu naturalmente da castidade da lua.

Era, pois, meia noite e um quarto no relogio da Lapa, e fazia luar como de dia.

Ás dez horas e meia, tinha entrado para a casa numero 12, da rua *** um vulto sinistramente rebuçado: era o barão de Celorico de Basto. A casa tinha uma janella tosca de madeira, que se abriu cousa de meio palmo, depois que o encapotado entrou. De vez em quando, um raio da luz, caíndo sobre a fresta das duas portadas, resvalava no nariz do barão, dando-lhe o colorido de uma cidra avelada.

Soára o quarto depois da meia noite, quando a janella interior da grade do jardim se abriu cautelosamente.

Um objecto branco sobresaía na sombra: devia ser o lenço de uma mulher.

Cinco minutos, depois, n'uma extrema da rua appareceu um vulto encapotado, que fumava, caminhando cosido com o muro do jardim. A figura da janella desappareceu, e em seguida ouviu-se o ranger subtil da lingueta de uma chave. Era a porta do jardim que se abria ao avizinhar-se o vulto.

A distancia de tres passos da porta, o homem que fumava ouviu o ruido de uma janella que se abria, e parou, voltando-se para a janella. O que elle viu foi o lampejo da detonação de um tiro, e levou a mão ao hombro esquerdo. Seguiu-se um pulo incrivel do barão fóra da janella, a fuga precipitada do vulto, e um segundo{101} tiro, que redobrou a força motriz do fugitivo.

Apitára uma patrulha ao cabo da rua, duas, tres, vinte patrulhas apitaram. A cem passos de distancia do local dos tiros, encontraram um homem extendido na rua, e disseram em voz alta, que o barão ouvira:—parece que está morto.

O barão, sem apressar o passo, entrou na porta do muro, e deu volta á chave. Olhou ao longo do jardim, e viu, por entre as sombras dos arbustos, contiguos á casa, perpassar um vulto, e sumir-se.

Abriu-se outra vez a janella da grade, ao tempo que as janellas das casinhas fronteiras se abriam. Alguns soldados perguntavam onde se deram os tiros. Respondiam unanimemente que foram dados alli, e mostrava-se uma bucha ainda fumegando, no meio da rua.

—Quem está ahi n'essa janella?—bradou um soldado ao barão, que estivera calado.

—Sou eu, sou o dono d'esta casa.

—E quem é o senhor?

—É o senhor barão—responderam os vizinhos.—Não, d'alli de certo não foi.

—Os tiros?—perguntou o barão.

—Sim, senhor, dois tiros que se deram aqui agora.

—Eu tambem, os ouvi, e por isso cá vim. Mataram alguem, ou foi patuscada?

—Não foi má a patuscada! Está alli adiante um sujeito extendido nas pedras, e, se não está morto, pouco lhe falta.

—Quem é? conhecem?{102}

—Estão lá dois camaradas que o conhecem. Dizem que é um doutor de uma casa rica, chamado... lembras-te, 38?

—Acho que elle disse... Almeida.

—É isso, Almeida. O sr. barão conhece-o?

—Não me lembro d'esse nome. Elle ainda lá está? Eu vou lá ver se o conheço...

O barão seguiu a patrulha, até parar n'um grupo de soldados e paizanos, que rodeavam uma cadeira, onde estava assentado o ferido. Era coragem de cynico, ou desatino de demente? Mais que tudo isso: era o ciume!

—Eu conheço este sujeito—disse o barão com admiravel placidez.—E elle tambem me ha de conhecer, se estiver vivo. Olé, sr. doutor! Está aqui o barão de Celorico, conhece-me?

O ferido abriu a custo os olhos, e fez um aceno affirmativo,

—Eu offerecia-lhe a minha casa, mas a d'elle é perto d'aqui, acho eu.

—Nós sabemos—disseram os soldados.

—Pobre homem!—proseguiu o barão em tom compadecido.—Ainda a noite passada elle esteve n'um baile que eu dei...

Agglomeravam-se na rua os curiosos, quando o barão entrou em casa. Não ouviu o mais leve rumor. Entrou no quarto de sua mulher, e viu-a dormindo.

Parou ao pé do leito, e vascolejou nas mandibulas, alvares uma gargalhada estrondosa. A baroneza acordou,{103} sentou-se no leito estremunhada sem saber o que ouvira, nem o que via.

O barão tirou da algibeira o charuto, chegou-lh'o ao pé dos olhos, e bradou:

—O tal patife não fuma outro.

—Que diz?—exclamou Ludovina.

—Faz-te de novas, mulher perdida! resa-lhe por alma, que a minha honra está vingada. Agora que digam o que quizerem.

E saíu do quarto, deixando apavorada a pobre senhora, que o julgou n'um terceiro ataque de loucura.

Ludovina vestiu-se apressadamente, e correu ao quarto da mãe.

Encontrou-a vestida, prostrada sobre o tapete do guarda cama, com a face caída sobre os degraus do leito. Ajoelhou ao pé d'ella, chamou-a, ergueu-a, agitou-a com a força da afflicção, e caíu com ella sobre a cama.

D. Angelica abriu os olhos pavidos, e vendo a filha, escondeu a face nas mãos, exclamando:

—Jesus, meu Deus!

—Que teve, mãesinha, isto que foi

—Nada, infeliz; foi um accidente...

—Por causa dos meus desgostos? ouviu o que aquelle homem me disse?

—Não, minha pobre martyr... imagino o que te diria... Oh... deixa-me ver se consigo chorar, senão estalo... mas não chores tu, filha, não quero que nos ouçam... É preciso que eu te salve, antes que a morte me leve com o encargo da tua reputação infamada...{104}

—Eu não a entendo, minha mãe!

—Não pódes entender-me, Ludovina, não pódes... ai! deixa-me respirar, que eu não vivo uma hora assim...

A baroneza amparou a mãe até á janella, que abriu. D. Angelica rasgava com as mãos os espartilhos compressores do collete, e fincava entre os cabellos os dedos com vertiginoso desespero. N'este frenesi, susteve-se, comprimindo a respiração, para escutar as vozes que vinham da rua contigua ao muro do jardim.

Uma dizia:

—Ia morto.

Outra:

—A bala entrou-lhe no peito.

Outra:

—Pobre familia, que bocado tão amargo!

—Aquillo que é?—perguntou D. Angelica espavorida.

—Eu não sei, mãe!

—Esse malvado que te disse?

—Chamou-me mulher perdida; mostrou-me o charuto, dizendo que o patife não fumava outro; e que lhe resasse por alma...

D. Angelica expediu um grito, um ai vibrante, de uns que o seio arremessa de si, como se n'esse esforço expellisse um espinho arrancado ao coração.

Ao grito de Angelica succedeu o terror confuso de Ludovina.

N'este intervallo de silencio a lastimavel mãe concebeu{105} um designio atroz. Deu um salto para precipitar-se da janella, e achou-se travada nos braços da filha, que pedia soccorro, a altos brados, repuxando-a para o interior do quarto, com a força miraculosa da angustia.

Ouviram-se passos no corredor. Ludovina exclamou:

—Entre quem é.

Abriu-se a porta, e surgiu o barão.

D. Angelica lançou-lhe um olhar torvo, e fulminante; fugiu, de um repellão, aos braços da filha; correu para elle com a sanha de uma possessa, e atirou-o fóra do quarto com o choque dos punhos furiosos, exclamando:

«Assassino! assassino!

Ninguem me soube dizer a qual genero do sublime truanesco pertencia, n'este conflicto, o barão de Celorico. Eu tambem me não cancei em averiguações, porque o resultado d'ellas seria sujar com salmouras despicientes um quadro de angustias, que não é novo na vida, mas afouto-me a dize'-lo que é novo no romance. Melchior Pimenta não apparecia, sendo o seu quarto paredes meias com o de sua mulher. Deliciava-se nas profundezas de um somno do qual só podia emergir, quando a ultima molecula de tres grãos de morphina se perdesse através dos philtros nervosos. O dormir do somnolento empregado da alfandega explica-se com as vigilias aturadas de D. Angelica. Vá sem reticencias.

Para nós é mais comprehensivel o espanto da baroneza do que estava sendo para ella o desespero de sua mãe. Se a pobre senhora suspeitasse que a demencia do marido era contagiosa; tinha desculpa. Tamanha afflição,{106} descompostura tal de contorsões, de gemidos, de arremessos para a janella, chamando a morte, não podia ser procedente do amor maternal exaltado até á ira da leôa.

Ludovina ajuizava assim; mas não atinava com a razão possivel de effeitos tão extraordinarios no caracter inalteravel, e quasi duro de sua mãe.

Instava, supplicando-lhe o desafogo da sua agonia. D. Angelica apertava-a contra o seio com arrebatada e insolita ternura. Promettia dizer-lhe tudo, quando pudesse falar, na certeza de que a sua ultima palavra fosse um adeus a este mundo, e uma confissão de que dependia o credito de sua filha.

Foi um raio de luz para Ludovina estas palavras, cortadas por gemidos; esse raio de luz, porém, queimou-lhe o coração. Se Angelica reparasse na pallidez da filha, demasiado castigo seria da sua falta essa mudança. A parte da sua dôr, que até alli fôra remorso, seria depois vergonha, e vergonha de sua filha, tortura mil vezes mais pungente que a mordedura do remorso para a que soube ser mãe, e affrontou os deveres de esposa.

A baroneza mudou de semblante e de carinho, sentiu-se gelada e inerte ao pé da mãe, logo que meia luz do enygma lhe aclarou o entendimento.

«A mãe precisa descançar—disse ella com affectado gesto de carinho—Deite-se, que eu ajudo-a a despir-se, e ficarei ao pé da sua cama.

—Não, filha; eu não tenho descanço n'este mundo, nem no outro. Se ainda tenho algum direito á tua obediencia,{107} deixa-me só; preciso de chorar lagrimas que nunca Deus permitta o teu coração as chore. Não pódes respeitar esta agonia, porque não a comprehendes, innocente martyr. Se soubesses... poderias abominar-me agora, para te compadeceres depois.

«Sei, mãe.

—Que sabes tu, Ludovina?! exclamou Angelica, abraçando-a convulsivamente.

«O meu silencio responde-lhe, mãe... Não soffra pela minha deshonra. Deus sabe tudo; não me importa o mundo; a Providencia fará vêr a verdade a meu marido, sem que o nome de minha mãe seja sacrificado. Cale-se, por quem é. Não diga nada ao barão, e poupe meu pae. Eu sinto-me com forças para não vergar a um peso de infamação que me não cáe sobre a consciencia. Se o meu amor a póde consolar, não diga o seu segredo a ninguem; não diga porque eu não sei qual dos dois descreditos é mais afflictivo para mim...

D. Angelica resvalou dos braços da filha, querendo ajoelhar-se-lhe aos pés.

Ludovina ajoelhou com ella, e n'este momento abriu-se a porta.

Era o barão de Celorico.

—Ouvi tudo—exclamou elle—Perdôa-me, Ludovina, pelas cinco chagas de Christo. E foge d'essa mulher, que é a causa de eu ser um matador.

—Tem razão; vae, minha filha—disse D. Angelica, afastando-a de si.

—Sr. barão—disse Ludovina—eu não deixo uma mãe{108} culpada para seguir um assassino. Saia da minha presença, que o detesto. Apenas romper a manhã, deixo esta casa, deixo-lh'a para que o senhor caiba n'ella com o seu remorso. Matou um homem, sr. barão, um homem que não conhecia; matou-o a sangue frio, e será capaz de praticar uma crueldade menor matando-me a mim.

D. Angelica arrancou-se aos braços da filha com furioso impeto, e postou-se terrivel diante do barão, exclamando com uma toada de voz soturna e tremula:

—Com que direito assassinou um homem, scelerado, carniceiro?

O barão tremeu, recuou, e pendeu o queixo inferior relaxado pelo espasmo.

—Responda á amante do homem que matou; á mulher que acceita voluntariamente a infamia da sua culpa, para ter o direito de pedir contas ao assassino de Antonio d'Almeida. Querias, com essas mãos tintas de sangue, tocar em minha filha, miseravel algoz, que és tão estupido como sanguinario!

Ludovina, cingindo a cintura da mãe, arrastou-a para longe do barão, que parecia, ao passo que ella falava, ir-se petrificando.

A vehemencia da ira decaíu subitamente em syncope. D. Angelica encostou a face desfallecida ao seio da filha, que a levantou nos braços, e deitou no leito.

E voltando-se para o miserando homem, cujo rosto confrangido accusava os pungimentos do remorso, a baroneza, em tom de cólera mal reprimida, disse:

—O senhor não ha de ser mais feliz que as pessoas{109} a quem deu a morte, e a eterna vida de lagrimas. Pediu-me perdão? eu já lhe havia perdoado as suspeitas, as desconfianças, os insultos, as vergonhas a que hontem me expoz na presença dos seus creados. Tudo lhe perdoei, em quanto o suppuz demente; hoje, que o considero um criminoso de morte, e que não tenho quem me defenda das suas mãos póde matar-me, que o não chamarei á presença de Deus para ser julgado.

—Ludovina—balbuciou o barão, com o rosto coberto de lagrimas—eu matei esse homem cuidando que era elle o teu amante...

—Era a mim que devia matar-me, senhor.

—Não podia ainda que quizesse, porque a minha tenção era matar-me e deixar-te viva, para que tu ao menos te lembrasses de mim com pena, quando já me não visses n'este mundo. Esse homem ainda não morreu, Ludovina; póde ser que se cure, e eu vou-me ajoelhar aos pés d'elle a pedir-lhe perdão, e, se tu quizeres, pedirei tambem perdão a tua mãe.

—Não fale n'essa infeliz a ninguem, snr. Dias, a ninguem. Aqui a deshonrada sou eu. Se o descobrirem como assassino de Antonio de Almeida, diga, se quer que eu o não amaldiçôe, diga que esse homem era o meu amante; mas não fale em minha pobre mãe...

«Que dizes tu, Ludovina? Pois tu queres que se diga que eu fui deshonrado por ti?

—Deshonrado está o senhor, desde já, desde que matou, ou quiz matar por uma suspeita um vulto desconhecido...{110}

«Elle vinha entrando para o jardim, Ludovina, e tua mãe estava na janella...

—Cale-se! isso é mentira! minha mãe estava deitada na sua cama...

«Não estava, Ludovina...

—Estava, snr. Dias; não me contradiga, que eu juro contra as suas palavras em toda a parte.

«Então quem estava na janella, senão tua mãe?

—Era eu; já lhe disse que a deshonrada sou eu; esse homem que matou era o meu amante; sabe-o todo o mundo; sabia-o o senhor quando o matou; sou eu a causa de meu amante ser um cadaver, e meu marido um assassino. Sou, portanto, uma infame mulher que deve saír debaixo d'estas telhas. Ámanhã, ámanhã ha de fazer-se uma separação eterna entre nós. A sua honra fica assim completamente desaffrontada. Todos dirão que meu marido me expulsou com a ponta do pé de sua casa. Todos hão de admirar os brios do snr. barão que matou o rival, e não desceu á cobardia de matar uma mulher... Esta resolução é inalteravel; acabou-se tudo entre nós, menos a vergonha, a infamia, o escandalo que vae fazer dos nossos nomes um espectaculo para a irrisão de uns, e para a piedade de outros. Eis aqui a sua obra; a mim, como sua mulher, compete-me acceitar metade da responsabilidade...

D. Angelica sentou-se no leito, afastou, como em delirio, os cabellos que lhe cobriam as faces, e pediu uma gota d'agua, com supplicante instancia, proferindo os nomes das creadas da casa. Ludovina ministrava-lhe a{111} agua, que ella repelliu com ira. Permaneceu estarrecida alguns segundos, com os joelhos a prumo entre as mãos; depois, caíu de chofre sobre o travesseiro, e murmurou longo tempo palavras inintelligiveis.

O barão tinha saído imperceptivel. D. Ludovina debruçou-se, debulhada em lagrimas, sobre o leito.

Melchior Pimenta, no quarto immediato, espreguiçando-se fazia com os abrimentos de boca uma toada em falsete, rispida como o uivar do mastim.

Abençoados quatro grãos de morphina que lhe povoastes o somno de deleitosas visões!

Melchior Pimenta, eu, quando quero phantasiar um marido bemaventurado, lembras-me tu.

Se vejo algum, desconcertado como as velleidades da metade que se despega, para entrar como excrescencia no complemento de outras existencias, que se reputam inteiras, dá-me vontade de lhes perguntar se já experimentaram a morphina.

Eu tenho visto a suprema felicidade dos minotauros.

Havia dois que espiritavam a galhofa de Melchior Pimenta; um, que repudiando, timbroso e austero, a esposa tentada pela cobra d'este paraizo terreal, onde as cobras inçam como em matagal bravio, recebe uma carta de dama d'alta estirpe, onde se lhe censura o burguez despique de peccadilho tão corrente em gente fina. O marido acceitára a correcção e a mulher incorrigivel. Melchior ria até caír.

Outro, amante da paz caseira e fricassés acirrantes, conhece no aspecto carrancudo da mulher, e no aguado{112} dos molhos, os desvios do amante: inventa pretextos para aproxima'-los e ameiga os arrufos com um jantar campestre.

Outro... Melchior conhecia outro, e eu conheço-o a elle, e mais dez exemplares que Brantome não archivou,[[4]] todos aporfiando em delicias sublunares.

Mas o ditosissimo, o que vive e morre sem sentir na consciencia o toque despertador, o momento da predestinação cumprida, esse é um só no meu catalogo.

Melchior Pimenta, se quizeres um dia erigir estatuas aos deuses tutelares da tua prosperidade, lembra-te de Ludwig que farejou no opio a morphina; de Seguin que a descreveu; e de Sertuerner que aperfeiçoou o processo da extracção.

Sem a morphina, não serias mais feliz que Octavio, que Cicero, que Domiciano, e tantos grandes e sabios do paganismo que podem, sem vergonha, apparecer diante de outros não menos sabios, e grandes senhores da christandade.

Nasceste n'um folle, Melchior Pimenta!{113}