I

DE TARDE

Mais morta do que viva, a minha companheira
Nem força teve em si para soltar um grito;
E eu, n'esse tempo, um destro e bravo rapazito,
Como um homemzarrão servi-lhe de barreira!

Em meio de arvoredo, azenhas e ruinas,
Pulavam para a fonte as bezerrinhas brancas;
E, têtas a abanar, as mães de largas ancas,
Desciam mais atraz, malhadas e turinas.

Do seio do logar—casitas com postigos—
Vem-nos o leite. Mas baptisam-n'o primeiro.
Leva-o, de madrugada, em bilhas, o leiteiro,
Cujo pregão vos tira ao vosso somno, amigos!

Nós davamos, os dois, um giro pelo valle:
Varzeas, povoações, pégos, silencios vastos!
E os fartos animaes, ao recolher dos pastos,
Roçavam pelo teu «costume de percale».

Já não receias tu essa vaquita preta,
Que eu segurei, prendi por um chavelhoe? Juro
Que estavas a tremer, cosida com o muro,
Hombros em pé, medrosa, e fina, de luneta!