CAPITULO LV
Como D. Fuas Roupinho peleijou no mar com os Mouros, e os venceo, e tomou delles nove Galés.
Estando assi D. Fuas Roupinho com El-Rei em Coimbra, quando lhe levou aquelle Rei Mouro prezo, escreveram os de Lisboa a El-Rei como hi andavam nove Galés de Mouros, de que era Almirante um Mouro por nome João Ferreira Dalfamim, o qual fazia muita guerra e dando por aquella Costa, que fosse sua mercê manda-lo remediar. El Rei havendo este recado, chamou D. Fuas Roupinho, encomendou-lhe que fosse a Lisboa, e fizesse armar Galés, e que fosse elle por Capitão, para ir peleijar com os Mouros, se o esperassem; e deu-lhe logo cartas e mandados para seus officiais, que lhe dessem para ello todo o que lhe fizesse mister, e outra para a Cidade, de como o mandava lá para armar aquella frota, e por tanto fizessem todo o que acerca desso elle lhes requeresse. Tanto que D. Fuas foi despachado, espedio-se del-Rei, e partio-se para Lisboa, e como chegou deu a Carta del-Rei á Cidade, e as outras aos officiaes daquelle carrego, e logo á pressa se deu ordem para se armar a frota, e como foi prestes, D. Fuas entrou em ella, e partio volta do Cabo de Espichel, por haver novas que na paragem do rio de Setubal continuadamente, continuavam mais as Galés dos Mouros, e faziam sua guerra, as quais havendo lá nova da Armada que se fazia, vinham tambem contra Lisboa a sabe-lo, e trova-lo se podessem, e em dobrando o Cabo, houveram vista da frota dos Christãos, e sem mais detença se foram aferrar uns com outros, peleijando mui fortemente, e quiz N. Senhor que os Mouros foram desbaratados, e todas suas Galés tomadas. Esto foi na era já dita de mil cento e oitenta annos (1180) a quinze dias de Julho. Tornou-se então D. Fuas para Lisboa com grande vitoria e honra, com a qual como era rezão foi recebido.