NOTAS
[1] Este artigo foi publicado, quando a Junta de Saude inventou o Microbio de 1889.
[2] Este digo não é consequencia d’uma simples abstracção do meu espirito. Originou-se no tratamento, ha dias applicado no posto de desinfecção do Caes, onde os viandantes eram considerados parreiras phyloxeradas e polvilhados com enxofre... a folle de sopro.
É economico e não faz bem nem mal.
Antes pelo contrario...
[3] Isto é francez e do mais decente.
[4] Com esta classificação é que foi ás nuvens o sr. dr. Pacheco. Nunca o vi tão zangado, a não ser quando aquelle barqueiro de Vigo lhe respondeu á lettra...
[5] Salvo seja.
[6] Para partos era o melhor clinico que cá havia. As senhoras viam-lhe a barriga e... suppunham logo simultaneidade de soffrimento.
[7] Justininho.—Desculpa se foi tolice. Faz como o sr. Illydio Dias:—declaração nos jornaes. Eu cá não me zango.
[8] A metrificação é livre, como a setta no ar.
N’estas coisas de versos, sigo a opinião do Capitão-mór da Morgadinha: o papel é para se escrever e não para se estragar com versos de quatro syllabas.
[9] O que arde cura, diz o Pimpão e confirma a sagrada Escriptura.
[10] Podemos fallar á vontade, que isto é grego para o sr. Joaquim...
[11] Do natural.
[12] Copia do natural. Recommendo aos leitores que tomem um bocado d’ar; especialmente aos que soffrem d’asthma.
[13] Ortographia sonica.
[14] Historico.
[15] Um bocado de latim, no meio d’estas coisas, faz sempre bom effeito, porque dá á gente um tom de sabio. Se foi asneira Vossa Excellencia desculpará... Do que me ficou do Conego Vaz, foi o melhor que pude arranjar. Vossa Excellencia tem cara de quem sabe muito latim.
[16] Historico. Anno de Nosso Senhor Jesus Christo 1886.
[17] Para vergonha nossa, direi que tão bello regulamento é o que ainda vigora n’esta terra. Em leis civilisadas, ou Valença, ou as terras do Kalakana...
[18] Esmiuço, aqui, materia conhecida, para boa comprehensão d’alguns, menos versados em Sciencias naturaes. Em questões de tanta magnitude, toda a clareza é pouca.
[19] Nem tudo se póde dizer claramente. Ha sempre quem dê mau sentido ás coisas...
[20] A camara, n’essa occasião, era composta dos srs. Zagallo, Vieira, José Seixas, J. Lopes, Albino, J. Narciso e do orador.
[21] Peço attenção para a redacção das propostas.
[22] Ao verificar a impressão d’estas propostas vejo, com desgosto, que os typographos espalharam por ahi, sem nexo nem intenção, bastantes pontos, compromettedores para a candidez e honestidade de costumes d’alguns Cavalheiros. Ahi fica a declaração para os salvar da intenção criminosa.
São coisas que succedem...
[23] Sinto que as acanhadas dimensões d’este volume me não permitiam incluir um artigo, que esbocei, ácerca da origem do Patriarcha. Tem por titulo: Aventuras do Patriarcha dos Gandricos e do seu amigo Gargalinho, em Paris da França. É um estudo realista. Faço, porém, obra para dois tostões...
[24] Não vá este artigo fundamentar suspeitas, ácerca das crenças do auctor. Zinão respeita a Religião e perfilha o que ella tem de sensato; mas só a admitte no Templo—depois de varrido de hypocritas, de traficantes, de escorropicha-galhetas e de icha-corvos—com um Evangelho e um Sacerdocio: a Caridade.
[25] Depois do que expuz, acerca do elogio-mutuo, n’estas paginas, onde manuseio ridiculos, poderá alguem attribuir-me intenções provocadoras da tal convenção, com a referencia que ahi faço a um homem, que, entre nós destramente maneja a penna.
Declaro que, n’estas e n’outras referencias, digo o que penso e o que sinto; sem pretenções a adulador, independente de preconceitos, de considerações pessoaes e das imposições dogmaticas com que, por ahi, se celebra e incensa muita coisa vulgar e ôca.
Não preparo o exito dos Sinapismos com a offerta de exemplares ás redacções, ou aos amigos, que as frequentam, com aquelles galanteadores e irresistiveis offerecimentos de: ao distinctissimo escriptor, ao precioso estylista, etc., com que se arma ao reclamo,—porque d’este não necessito.
Não viso á honra de ser considerado entre os litteratos, e por isso occulto o meu nome; não escrevo por especulação, e por isso offereço aos pobres qualquer producto do meu trabalho.
Dos defeitos da obra, que são muitos, salvo-me com este desinteresse e com esta independencia de opinião.
Não me dotou Deus com feitio para incensar vulgaridades pretenciosas, nem tambem com orgulho e vaidade para repudiar, ou amesquinhar meritos.
Entre a Critica e a minha individualidade está essa mascara:—Zinão. Se aquella me fôr hostil, respeital-a-hei no que tiver de sensato; se me fôr favoravel, francamente, não lh’o agradecerei, porque não peço elogios.
Que este livro proporcione a quem o ler alguns minutos de distracção; que essa distracção valha uns tostões e que d’esses tostões possa apartar uns cobres, que mitiguem alguma dôr—eis o que ambiciono d’este ignorado laboratorio, onde preparo os Sinapismos.
[26] Não posso ficar calado perante um tão extraordinario acontecimento, como esse que o sr. Joaquim debate na imprensa, com as suas sessenta epistolas. Altero, pois, a ordem dos capitulos, que já estavam no prelo, para não perder a opportunidade d’estas linhas coordenadas á pressa, entre as espiraes azuladas de dois Princezas, de seis ao vintem.
Isto sem pimenta não tem graça.
Foi só uma pitadinha...
[28] Este Marilio dos bosques já deu sorte com os Sinapismos. D’estes é que eu queria mais...
Uma pergunta: se Cuvier agora trabalhasse na sua zooclassificação, onde incluiria o Marilio?
Oh Marilio!—tu respondeste com um peccado ao entregador dos Sinapismos...
Approxima-te.
Vira-te para cá...
Agora para lá
Pôe-te de banda...
..................
........... olha! Vae-te embora.
[29] Já publicado.
[30] Cumpre-me declarar, para respeitabilidade das instituições de segurança publica da nossa terra, que o sr. Sampaio não exercia, n’aquella epocha, as funcções de Commissario das Policias.
[31] Consta-me que este cão foi depois resgatado pelo sr. dr. Pestana. Sua ex.ª está aqui e póde dizel-o...
[32] São indigestos estes periodos. Talvez, até, que Vossa Excellencia, approximando a pituitaria, sinta os vestigios do mau halito, que essa casquilha matrona, D. Politica, exhalava, quando a auscultei para conhecer as causas da atonia que a consome.
No entanto, queira Vossa Excellencia lêr. Talvez que, com estes sinapismos, a creatura melhore e lhe suba a côr ao rosto, indicio de... saude.
Se Vossa Excellencia tal perceber, pôde haver cura.
Eu (aqui á puridade) duvido.
[33] Vejam-se os acontecimentos politicos de 21 de Outubro e 3 de Novembro e todos os outros d’esta especie.
[34] No tocante a corpo commercial ou Valença, ou... Manchester.
[35] Especializo estes cavalheiros porque são os mais calorosos n’esta questão.
[36] Agua vae...
[37] Classificando politicamente estes dois cavalheiros, declaro, para facilidade das futuras investigações historicas, que me refiro ao momento actual, e que faço obra pelo que ouço dizer e não pelas suas consciencias, que são inaccessiveis.
[38] Portugal contemporaneo, do sr. Oliveira Martins.
[39] Alludo á infamissima vingança que, ha annos, se perpetrou na habitação d’um cidadão, alli para os lados da Ponte.
[40] Estava a publicação n’estas alturas, quando em Valença se resolveu a Questão da Musica, nas condições que eu previ.
A rusga foi, porém, tão desenfreada e, sobretudo, d’uma tal inopportunidade que não merece sinapismo: merece ventosa.
[41] Estes F. ou C. são—já se vê—epicenos.
[42] Stratego—posto militar, com honras de general. O Archontado era um dos poderes do Estado. Tinha nove membros; o terceiro, que commandava o exercito, chamava-se Polemarcho, mas, além d’este, havia os polemarchos inferiores, que tinham o posto inferior aos strategos.
Areopago era um tribunal civil, que eu aqui compararei—por exemplo—á nossa Excellentissima Camara.
Intitulava-se o Senado do Areopago.
Eponymo—era o mais graduado dos archontes e, portanto, o chefe do partido, digo, do Estado.
[43] Ostracismo—era a condemnação ao exilio... equivalente ás actuaes transferencias.
[44] Aproximadamente 20 de Outubro e 3 de Novembro, pela nossa divisão do anno.
[45] Estas camisas só eram usadas pelos fanaticos religiosos, porque arrancavam o coiro e... o cabello.
[46] Prytamos—cidadãos poderosos.
[47] Este nome é derivado d’um verbo: cambronnear, que teve uma leve referencia em Waterloo. Vem do sanskrito e conjuga-se: eu cambronneio, tu cambronneias, etc. Indica uma funcção organica.
[48] Os thetas constituiam a classe mais inferior dos cidadãos athenienses.
[49] Não pude comprehender no texto se aquelle possessivo seus se refere á cidade, se a Pericles.
[50] Eupatridas—Proprietarios.
[51] Kshatrias:—guerreiros da antiga India.
[52] Sudras:—escravos.
[53] Dmoes:—escravos para o serviço domestico.
[54] Talentos:—moeda grega de valor variavel.
[55] Coisa de tres kilometros...
[56] Recordo aos meus leitores que este Pericles foi o iniciador, por suggestão, da eschola prudhommica.
[57] Segundo as theorias recentemente apresentadas por philantropicos e honradissimos Cresus, o dever dinheiro é coisa pouco escorreita de dignidade. A honradez não gasta da mesma tinta com que se acceita uma lettra. Um titulo de divida—documento d’uma transacção—é assim como a marca a fogo que nas ancas do potro indica o nome do creador. O potro vende-se, recebe-se o dinheiro, mas o creador quando o encontra diz sempre: aquelle é dos meus.
[58] Por decencia vejo-me obrigado a inglezar esta e outras phrases. Saiba, porém, o leitor que todas ellas, significando as mais abjectas phantasias de Lord Deboche, foram publicadas nas columnas da Pall Mall Gazette, em quatro numeros de julho de 1885.
[59] Só para bebedeiras não chegam cinco libras diarias a qualquer d’esses animaes. O duque de Edimburgo, por exemplo, exgotta ao jantar quatro garrafas de champagne e dois litros de cognac.
[60] Pag. 155.
[61] Direi, de passagem, que isto nem sempre succede. Notam-se, ás vezes, umas anomalias, uns desvios da força nervosa que partindo do cerebro, vae actuar n’outros musculos, produzindo manifestações de sentimentos oppostos aos que nos impressionaram.
Por exemplo:
Quando vamos ao theatro e ouvimos o sr. Sampaio jeremiando o seu papel n’aquelle plangente e lugubre rhythmo d’uma licção de quarta-feira de trevas e vemos que elle tenta reproduzir com o rosto, com o gesto, com os olhos, as amarguras da sua alma atribulada por esta ou por aquella situação dramatica—nós não choramos; rimos e rimos a valer, com tanto mais furor, quanto mais afflictiva é a attitude do sr. Balagota.
Outro exemplo:
Quando o sr. Joaquim, depois de ler os Sinapismos, solta umas casquinadas de riso tirante a verdadeiro e lhe ouvimos dizer que sim, que o Zinão tem muita graça e desde que elle, Zinão, anda na rua, elle, sr. Joaquim, põe mais uma tranca na porta, a gente—em vez de rebolar no chão aos tombos com riso provocado por tão espirituosa facecia—fica muito séria, e até sente o quer que seja que instinctivamente vae enfiando em cada mão o dedo mata-parasitas entre o fura-bolos e o maior-de-todos, n’aquella posição com que o meu amigo M. Silva se previne cautelosamente contra os numerosos amigos que no dia da Cruz—uma vez por anno, felizmente—lhe vão festejar a garrafeira.
Spencer explica isto na sua Physiologie du rire:
La decharge de la force nerveuse peut se tourner en excitation pour d’autres nerfs qui n’ont pas de relation directe avec les membres et, ainsi, amener d’autres sentiments et idées.
A individualidade do sr. Sampaio no convivio diario, por quaesquer razões desperta o riso; e a individualidade do sr. Joaquim, pela sua auctoridade vice-administrativa e mais predicados ingenitos provoca a seriedade e o tal cruzamento dos dedos.
Convivendo diariamente com estes cavalheiros, as impressões que elles nos causam vão, por assim dizer, armazenar-se em nosso cerebro, condensando-se e augmentando de intensidade em força nervosa.
Quando, pelas facecias, ou pelas jeremiadas, elles nos communicam uma impressão mais forte, ha uma expansão brusca e violenta de força nervosa armazenada, que vae actuar em nervos e musculos correspondentes a sentimentos diversos.
[62] Oh padre capellão: que rica tirada para um juramento de bandeiras...
Só falta: é a terra que cobre os ossos de nossos avós!