V

Sabes leitor, o que é perder a noute no Penin, no Magina, ou nos Penachos? ou ir á Brazaliza, ou ao Dáfundo, Poço dos Mouros, ou Perna de Pau? Farta e boa ceia regada de briol, devorada em companhia feminina por ventura tu já exp'rimentaste? Já comeste bom mexilhão na Pincha, os beefs no Gallo, as iscas no Semellas? no Magina, nos Cestos, no Cunhal, bebeste já o fino de Bucellas?

Leitor: se nada d'isto tu tens feito mal pódes apreciar como se acorda depois d'uma tremenda borracheira. Emfim, nunca fizeste tal asneira… Pois sabe como fica um desgraçado depois da cama se ter levantado.

Os olhos parecem estar pegados e, mesmo após o serem esfregados, nunca ficam lá muito bem abertos. Ouvimos sons determinados, certos, exquisitos, raros, indefiniveis. Pelo estomago, sensações terriveis, quentes e causticas, effervescentes, e na barriga ruidos indecentes. Lingua sêcca; beiços intumecidos, e viscosos, pegados, e feridos. O nariz com cheiro acre, apimentado. Mesmo que se não tenha vomitado temos na bocca, como coiros rélhos, —um sabor especial a ferros velhos.—

Ahi tendes o lastimoso estado que encontro esta manhã, sendo acordado por um maldito burro d'um visinho.

Não imagines que hontem bebi vinho.
Vaes ver o que em tal estado me poz;
vaes ficar sabendo o nome do algoz:

—Este damninho sonho no Parnaso.—

E quem tem toda a culpa d'este caso é o poema moderno:

*VELHICE DO PADRE ETERNO*