A NUVEM
De Th. Gauthier
As roupas deslaçando, entra no banho
A languida sultana enamorada:
Livre do pente, os hombros nús lhe beija
A longa e fina trança desatada.
Atraz dos vidros o sultão a espreita;
E comsigo murmura: «como é bella!
«Ninguem a vê, ninguem! o negro eunucho
«Do harem na tôrre solitario vela!»
—Eu a vejo, uma nuvem lhe responde
Do sereno e alto azul illuminado:
—Vejo-lhe os seios nús, vejo-lhe o dorso,
—E o seu corpo de perolas colmado—
Fez-se pallido Ahmehd bem como a lua,
E erguendo o seu kandjar de folha rara,
Desce, e apunhala a nua favorita...
Quanto á nuvem... no azul se dissipára...