ADEUS!


Uma vez, numa camara elegante,

De um contador no marmore de rosa,
Entre os mil nadas feminis que exhalam
Uns aromas subtis que nos embalam,
Vi uma concha pallida e graciosa.

Sentira eu nella um som confuso e triste,

Como o dos sinos em remota aldeia;
Pobre concha! morria de saudade
Daquella vaga e triste immensidade
Do mar que chora na deserta areia.

Olha, querida, como nessa concha,

Anda chorando em mim continuamente
Essa timida voz que tu soltaste,
Essa palavra ADEUS que murmuraste
Aos meus ouvidos languida e tremente!