II

Vinha rompendo a aurora

Risonha, virginal, feliz como um noivado,
Das aves á compita o tremulo trinado
Entre as balsas gorgeava. Era em descanço a nóra.

No emtanto o lavrador, tremente e vacillante

Como um ladrão nocturno, ou como um namorado,
Abriu, de par em par, as portas do curral.

Subito nesse instante

Volveram para a entrada os bois o olhar leal,

Bondoso, humano e franco.

Que festiva alegria

O frequente menear das caudas traduzia
Resvalando em seu forte e musculoso flanco!

O velho antigamente

Tinha sempre, ao chegar, uma palavra amiga,

Um dicto, uma cantiga,

A que sempre um mugido alegre respondia.
Mas naquella manhã, silenciosamente,

Fatal como o dever

O velho foi buscar, a um canto, uma correia,

E lançou-a a tremer

Dos anafados bois ás pontas recurvadas.

E sahiram os tres.

Nos concavos da aldeia

Choviam as canções das aves namoradas.