NA EGREJA DAS CHAGAS


Ao dr. A. A. de Carvalho Monteiro

Proxima vinha a nobre Catharina

Da porta principal da egreja, quando
Seu olhar encontrou suave e brando
O olhar de um moço de presença fina.

E, ao fulgôr d'esse olhar ardente, inclina

A dama o rôsto, timida, córando...
Arfa-lhe o niveo seio, palpitando,
Em doida e extranha commoção divina.

Camões, que outro não era o moço, ardido,

Num gesto de galan desvanecido,
«Quem vos pudéra merecer!» murmura.

E a dama, ao ouvil-o, languida sorria,

Pois que em todos os tempos a ouzadia
Ao amôr nunca trouxe desventura.