O RELOGIO
No album de Eduardo Burnay
Eburneo é o mostradôr: as horas são de prata,
Lê-se a firma Breguet por baixo do gracioso
Rendilhado ponteiro; a tampa é enorme e chata:
Nella o esmalte produz um quadro delicioso.
Rapara: eis um salão: casquilho malicioso
Das festas cortesãs o mimo a flôr, a nata,
Juncto a um cravo sonoro a alegre voz desata.
Uma fidalga o escuta ebria de amôr e gôso.
Rasga-se ampla a janella: ao longe o olhar descobre
O correcto jardim e o parque extenso e nobre.
As nuvens no alto céu fluctuam como espumas,
Da paizagem no fundo, em lago transparente,
Onde se espelha o azul e o laranjal frondente,
Um cysne á luz do sol estende as niveas plumas.