XXIV


Eu enterro as canções de amôr e o fel amargo

Do meu triste sonhar:

Quero um caixão profundo, immenso, vasto e largo;

Depressa, ide-o buscar!

Um caixão formidando, um féretro-portento,

Que sobreexceda e vença

O pêzo sobrehumano e o enorme comprimento

Da ponte de Mayença.

Trazei-m'o sem demora; eu hei-de enchêl-o em breve;

Vereis a promptidão.

De Heidelberg o tonel será pequeno e leve

Ao pé d'esse caixão.

Doze gigantes quero, o aspecto feio e rudo,

E de um vigôr sem conta,

Que me façam lembrar Christovam, o membrudo,

Que em Colonia se aponta.

Gigantes, balouçae o féretro luctuoso!

Vamos! agora, ao mar!

Cova maior existe? Abysmo assim grandioso

Difficil é de achar.

Sabeis porque eu desejo um féretro assim largo,

De vastas dimensões?

É que enterro, infeliz, o amôr, o fel amargo

Das minhas illusões.