Scena I.

Ignez só.

Miseranda!.. Que trance! Oh desventura!.. Oh sentença, cruel!.. Venceste, ó Fado. Apraziveis lugares, testemunhas Do mais ardente amor, ah, para sempre A malfadada Ignez de vós se aparta... Quanto fôra melhor, quanto mais doce Deixar a vida, que deixar o amante! Que!.. Eu... deixar o amante?.. Oh caro Esposo!.. Oh Ceos! podeis manda-lo, ou permitti-lo? Sereis tambem crueis como os humanos? Condemnareis os mesmos, que soprastes, Sentimentos d'Amor, da Natureza? Para hum castigo tal quaes são meus crimes?.. Se me queres punir, Deos de vingança, Os raios tens nas mãos, accende os raios, Meu terno coração reduze ao nada; Mas d'outro coração, a que o ligaste, Separa-lo jámais... Ah! nem tu mesmo, Nem tu, que podes tudo, tanto podes... Que proferes, blasfema! Aos Ceos te atreves?.. Oh virtude! Oh razão! Desamparais-me?.. Onde, Ignez, onde está tua constancia? Aos teus deveres torna, entra em ti mesma. Orgão do Ser Supremo, hum Rei te ordena, Que do Esposo te apartes; não resistas; He força obedecer; enfrêa n'alma, Suffoca as afflicções, cala os queixumes: Co'as desgraças os crimes não mistures: Mas deixa-lo!.. Ai de mim... Deixa-lo!.. Agora, Agora he que eu conheço as furias todas, Toda a força d'amor: elle triunfa Da razão, da virtude, e dos Ceos mesmo.