Scena VIII.

Os mesmos, Ignez, os dois meninos seus filhos, Elvira, e duas Aias.(55)

(55) As Aias sustentão Ignez, que vem ferida.

Ign. Ah!.... Não me fujas... Não me fujas, Senhor... toma os teus Netos... Para t'os entregar, agonisante, O Maternal amor aqui me arrasta... Tristes orphãos, adeos... Adeos, meus filhos... Nas tuas mãos, Senhor, os deposito... Em teu bom coração abrigo encontrem... Ampare-os seu Avô, já que a Mãi perdem... Possão elles hum dia, de ti dignos, Dignos filhos do Pai mais virtuoso, Com virtudes iguaes, egregios feitos, Compensar-te o perdão, que me outorgaste... E por ultima graça me concede, Que inda antes d'expirar meu Pai te chame.

Af. Chama-me o teu algoz: não queiras dar-me O doce nome que me não compete: Bem quizera eu tambem chamar-te Filha:.. Mas não me atrevo, não; a Natureza, Se visse por meus labios profanado Nome tão deleitoso, estremecêra... Teu sangue está bradando; tu só deves O cruel detestar, que te assassina; Mas bem vingada estás; mais desgraçado Mil vezes do que tu, mil mortes soffro. Ah, poupa ao teu verdugo o horror de ver-te Exhalar d'alma os ultimos arrancos... Eu vou, sim, porque até minha presença Deve ser a teus olhos odiosa.(56) Ninguem me siga, ah, não; deixem-me todos, Fujão todos de mim; quero esconder-me A todos os viventes, té que possa Nos abysmos sumir-me para sempre.(57)

(56) Vai a partir, e vendo que D. Nuno o quer acompanhar, volta-se, e diz:
(57) Parte arrebatadamente.