NOTAS DE RODAPÉ:
[286] 1 Machab. 8.
[287] Plinio lib 33. cap. 4.
[288] Strab. lib. 3. de Situ Orbis: Nec in alia parte terrarum tot sæculis hæc fertilitas. Plin. alleg.
[289] Justin. lib. 44.
[290] Costa, Corograf. Port. tom. 1. p. 374 e 452.
[291] Ibid. tom. 3. p. 337. Argot. Antig. da Chancel. de Brag. p. 224. e 332.
[292] Monarq. Lusit. liv. 16. cap. 30.
[293] Ibid. Monarq. Lusit.
[294] Silio Italico, Martial, e outros apud Maced. Flor. de Hespanh. cap. 4. excel 2.
[295] Duarte Nun. Descripç. de Portug. cap. 14.
[296] Resend Chron. delRey D. Joaõ II. cap. 61. Marian. lib. 25. c. 11. Osor. liv. 2. de Reb. Emman. Andrad Chron. delRey D. Joaõ III. part 3. cap. 15.
[297] Freitas de Justo Imperio Lusit. cap. 16. Ita ut ante Indiæ explorationem nullum ex Europæis Regnum opulentius Lusitano inveniretur.
[298] Botelh. no Alfonso da impressaõ de Salamanc. ann. 1731 liv. 10. est. 76. & seqq.
[299] Far. na Europ. Portug. tom. 3 part. 3. cap. 8. n. 10. Corograf. Port. tom. 3. p. 171.
[300] Plin. lib. 33. c. 4.
[301] Duart Nun Descripç. de Port. cap. 14. Memor. instruct tom. 1. p. 210.
[302] Duart Nun. Descripç. de Portug. p. 44.
[303] Far. na Europ. Port. tom. 3. p. 183. Corograf. Port. tom. 2. p. 513.
[304] Bluteau, Vocab. verb. Turqueza.
[305] Corograf. Portug. tom. 3. pag. 52. Blut. verb. Jacintho.
[306] Memor. instruct. tom. 1. pag. 112.
[307] Boter. Relaç. Univ. part. 1. liv. 1. Avila, Grand de Madrid. liv. 4.
[308] Xivier part. 5. Pontif. lib. 3. cap. 4.
[309] Serões do Princip. part. 1. disc. 6. § 10.
[310] Corogr. Port. tom 2. p. 393.
[311] Duart Nun. Descr. de Port. p. 42.
[312] Sever. Notic. de Port. disc. 1.
[313] Duart. Nun Descripç. de Port. p. 42.
[314] Corogr. Port. tom. 1. p. 244. e 374. Monarq Lusit. liv. 16. cap. 30.
[315] Duart. Nun. Descripç. de Portug. p. 45. Luiz Mendes no Sitio de Lisb. p. 192.
[316] Far. Europ. Port. tom. 3. p. 183.
[317] Rodrig. Mend. da Silv. na Poblac. gener. de Hesp. p. 130. e Duart. Nunes ut supr.
[318] Aldrovand. in Musæo Metal. lib. 2. pag. 229. Curvo na Polyanth. p. 592. mihi n. 15. Fonseca no Aquil. p 210.
[319] Cam. cart. 1.
[320] Dioscorid. lib. 5. cap. 103. Plin. liv. 25. cap. 10. S. August. de Civit. Dei cap. 91.
[321] Nieremb. Filosof. Natur.
[322] Justin. lib. 44. cap. 4.
[323] Monarq. Lusit. tom. 5. p. 80.
[324] Mervelleux Memoir. instr. tom. 1. p. 216.
[325] Mariz Dialog. 3. cap. 6.
CAPITULO XII.
Das Moedas de ouro, prata, e cobre antigas; e modernas, que se tem lavrado em Portugal.
1 As moedas mais antigas, de que ha noticia em o nosso Reino, saõ as do famoso Sertorio, Capitaõ Romano, o qual vindo a Portugal no anno 83 antes de Christo com o projecto de se fazer senhor de Hespanha, mandou bater moedas. Tinhaõ de huma parte esculpido o seu rosto de meyo perfil, e da outra banda a figura de huma corça, como offerece huma estampada o erudito Chantre de Evora Manoel Severim de Faria.[326] Era ella de prata do tamanho de seis vintens, e semelhante a esta foraõ achadas outras. Foy isto muito antes dos Imperadores Romanos.
2 Com a morte porém de Sertorio, ficando a nossa Lusitania reduzida a Provincia sujeita ao Imperio Romano, o dinheiro que entaõ corria nestas partes, era o mesmo de Roma; e ainda que se achaõ algumas moedas daquelle tempo abertas em algumas Cidades, e terras nossas, era por especial privilegio dos Imperadores, dos quaes se tem descuberto em todas as nossas Provincias muita quantidade das de ouro, prata, e cobre, como referem o mencionado Severim, e outros.[327]
3 Acabado o Imperio dos Romanos, seguiraõ-se os Godos; e desde o anno 411 de Christo até o de 570, que he o em que governou Leovigildo com poder absoluto, tambem naõ ha memoria de moeda alguma. De Leovigildo até D. Rodrigo, ultimo Rey Godo, achaõ-se algumas, ainda que mal abertas, de ouro, e prata, como as expressa o allegado Severim no §. 3. Fr. Bernardo de Brito diz, que no tempo do Rey Godo Flavio Recaredo, o qual morreo pelos annos de Christo 601 havia moedas de ouro, e prata batidas em diversas partes da Lusitania; e que além da que refere Ambrosio de Morales batida em Evora com seu rosto de ambas as partes, e a letra de seu nome com a outra ELBORA. JUSTOS; conservava elle em seu poder outra de ouro baixo com seu rosto esculpido grosseiramente, e no reverso huma Cruz com esta letra OLISBONA, PIUS. Donde se deixa ver, que havia em Lisboa officina de bater moeda em tempo deste Rey. Tambem diz que vira outra do Rey Svintila, de ouro, batida na Cidade de Evora, com seu rosto de huma parte, e ao redor SVINTILA REX: da outra banda huma Cruz com esta bordadura: EBORA VICTOR. Vencedor em Evora. Sem embargo de que o Padre Argote diga, que naõ vira em Author algum moeda de prata do tempo dos Godos.[328]
4 Seguiraõ-se depois os Mouros no anno de 714, ou 716, e introduziraõ as suas moedas por toda a Hespanha em todos os tres generos de metal, ouro, prata, e cobre, de que se tem achado ainda algumas, principalmente no Alentejo, e terras do Algarve, e nós vimos bastantes de prata com certos caracteres Arabicos, que se descubriraõ em Loulé. Hum dos dinheiros, de que usavaõ os Mouros, era chamado Maravedi, e permaneceo tanto em Hespanha, que até o reinado delRey D. Fernando I. de Leaõ todas as computações das contas se faziaõ por maravedis, assim como nós as fazemos agora pela valia de reis. Pouco depois se estabeleceo a Monarquia Portugueza com Reys proprios, e das moedas, que estes mandaraõ lavrar, e das que presentemente correm, faremos huma resumida memoria pelo estylo, que observamos.
5 Alfonsim. Esta moeda mandou lavrar ElRey D. Affonso IV. que delle tomou o nome, com o consentimento do Clero, e Povo.[329] Era de tres qualidades, cobre, prata, e ouro: o Alfonsim de cobre valia pouco mais de hum real dos nossos: o de prata era do tamanho de hum tostaõ, e valia pouco mais de quarenta reis. Tinha de huma parte sobre o nome Alfo huma coroa, e por baixo do nome delRey havia humas, que tinhaõ a letra L, por serem abertas em Lisboa, outras a letra P, por serem feitas no Porto, e pela orla tinhaõ esta inscripçaõ: Adjutorium nostrum in nomine Domini. O mesmo se lia da outra parte, onde estavaõ os cinco escudos do Reino postos em Cruz. O Alfonsim de ouro valia quinhentos e tantos reis.[330] Todas estas moedas tinhaõ o mesmo cunho.
6 Aureo. Foy moeda, que correo no tempo delRey D. Sancho II. pelos annos 1240, como se acha em escrituras publicas. O Reverendo Padre Fr. Francisco de Santa Maria em hum Tratado, que fez das moedas de Portugal, e anda incorporado no tom. 4. da Historia Genealogica da Casa Real a pag. 261. he de parecer, que esta moeda fosse daquellas mesmas dobras de ouro, que fez lavrar ElRey D. Sancho I. com a sua figura armado a cavallo, com a espada na maõ, e a letra: Sancius Rex Portugaliæ de huma banda, e da outra os cinco escudos em Cruz, que nós chamamos quinas, e dentro em cada hum cinco dinheiros naõ mais, e a letra à roda: In nomine Patris, & Filii, & Spiritus Sancti. Amen;[331] e sendo esta tal moeda, valia o tal Aureo pouco mais de cento e vinte reis da nossa moeda corrente, e he a mais antiga, que se acha no Reino.
7 Barbuda, ou Celada. Foy moeda de prata muito ligada, que mandou lavrar ElRey D. Fernando com o valor de 36 reis. De huma parte tinha hum capacete com viseira, e peito de malha, a que tudo chamavaõ Barbuda, ou Celada, donde tomou o nome, e em cima huma coroa, e pela orla da moeda a letra: Si Dominus mihi adjutor, non timebo: da outra parte huma Cruz da Ordem de Christo, que tomava todo o vaõ, e no meyo da Cruz hum escudo pequeno com as quinas de Portugal, e nos angulos da Cruz quatro castellos, e em roda a letra: Fernandus Rex Portugaliæ, Alg. No tom. 4. da Historia Genealogica da Casa Real vem aberta a sua figura, cuja circumferencia se póde ver melhor, que por informaçaõ dos Authores, os quaes discrepaõ muito nas medidas da sua grandeza.
8 Calvario. Era certa moeda de ouro de 22 quilates, e tambem chamavaõ cruzados, que mandou lavrar ElRey D. Joaõ III. com o valor de quatrocentos reis, que depois subio a seiscentos reis. Tinha de huma parte a Cruz sobre o monte Calvario, que daqui tomou o nome, com a letra em roda: In hoc signo vinces: da outra banda o escudo Real coroado, e a letra: Joann. III. Port. & Algarb. R. D. Guin.
9 Ceitil. Mandou lavrar esta moeda de cobre ElRey D. Joaõ I., ou na occasiaõ em que tomou a Cidade de Ceuta aos Mouros, como dizem alguns Authores, ou porque era cada dinheiro destes a sexta parte de hum real de cobre, e por isso ceitil he o mesmo, que sextil, e esta nos parece a mais verdadeira deducçaõ. Lavraraõ-na os Reys successores até ElRey D. Sebastiaõ.[332]
10 Conceiçaõ. Esta moeda mandou lavrar ElRey D. Joaõ IV. em ouro, e em prata no anno de 1648. A de ouro valia doze mil reis: tinha de huma parte a effigie da Senhora da Conceiçaõ com tres symbolos deste Mysterio por cada lado, e em circulo as letras: Tutelaris Regni: da outra parte estavaõ as armas Reaes no meyo de huma Cruz da Ordem de Christo, e na cercadura: Joannes IIII. D. G. Portugaliæ, & Algarbiæ Rex. A de prata tinha o mesmo cunho, mas era de mayor diametro, que os cruzados novos, e corria com o valor de seiscentos reis. A origem, que houve para se cunhar esta moeda, foy assim:
11 Depois que o felicissimo Rey D. Joaõ IV. fez tributario o Reino de Portugal à Conceiçaõ da Senhora em cincoenta cruzados de ouro cada anno, applicados para a sua Real Capella de Villa Viçosa, jurando, e tomando neste Mysterio a Senhora por Protectora do Reino em Cortes do anno de 1646[333] tratou logo de lhe pagar o tributo em moeda especial, e para isso mandou abrir a França hum cunho da fórma, que temos dito, o qual trouxe, e fez Antonio Ruiter, a quem se deu tres mil reis, que dispendeo com a abertura do ferro, como consta do liv. 1. do Registo da Casa da Moeda pag. 256. vers. donde inserimos, que o primeiro anno, em que ElRey fez a sobredita offerta, seria no anno de 1648, por ser este anno o que se vê expresso na sobredita moeda, a qual desde o anno de 1651 principiou a ser moeda corrente pela ley, que sahio para isso. E sem embargo de que no tom. 4. da Historia Genealogica da Casa Real pag. 287. se diga, que humas, e outras moedas corriaõ com pezo de huma onça, foy equivocaçaõ; porque da mesma ley, que vem no dito tomo a pag. 359. se vê, que as de ouro corriaõ com o pezo de doze oitavas, e valiaõ por doze mil reis; e as de prata com pezo de huma onça, e corriaõ por seis tostões: e pezo de doze oitavas he onça e meya.
12 ElRey D. Affonso VI. continuou tambem a mandar lavrar as sobreditas moedas em todo o tempo do seu governo, e da mesma sorte ElRey D. Pedro II. e nesta moeda se fazia a offerta de vinte e quatro mil reis no dia da festa da Conceiçaõ, em cujo dia trazem pendente ao pescoço os tres Officiaes, que administraõ a Casa da Senhora, huma das taes moedas. No anno porém de 1685 teve fim a fabrica destas moedas, porque desde entaõ nunca mais se lavrarão, entregando-se os referidos vinte e quatro mil reis em outra qualquer moeda para a despeza da festa de Villa Viçosa.
13 Coroa. Foy moeda de ouro, que mandou lavrar ElRey D. Duarte com o valor de 216 reis. ElRey D. Manoel tambem a mandou lavrar, e valia 120 reis: chamava-se Meya coroa. Este preço conservou até o reinado delRey D. Joaõ III. e ElRey D. Sebastiaõ.[334]
14 Cruzado. Quando o Papa Pio II. mandou a Bulla da Cruzada para a guerra santa contra os Turcos, ordenou ElRey D. Affonso V. que se lavrasse huma moeda de ouro subido de 24. quilates, e que se chamasse cruzado em reverencia da Bulla, e com o valor de 400 reis. Tinha de huma parte a Cruz de S. Jorge com a letra: Adjutorium nostrum in nomine Domini; e da outra o escudo Real com a coroa sobre a Cruz da Ordem de Aviz com estas letras: Cruzatus Alphonsi Quinti R. Manoel de Faria[335] mostra que vio huma moeda destas com differente cunho. No anno de 1561 valia cada cruzado destes 500 reis, e depois foraõ subindo ao valor de 600 reis, e deste ao de 640.[336]
15 Presentemente correm cruzados novos de ouro, que mandou lavrar ElRey D. Joaõ V. desde o anno de 1718 com o valor intrinseco de 400 reis, e na estimaçaõ commua de 480. Por Decreto de 8 de Fevereiro de 1730 mandou o mesmo Senhor que se lavrasse nas Minas quartos de escudo de ouro com o valor extrinseco de 400 reis cada hum, e intrinseco de 375 reis, tendo de huma banda o retrato delRey, e da outra na parte superior huma coroa Real, na inferior a era, em que se fabricaõ, e na circumferencia o nome delRey. A esta moeda chamamos cruzado, dos quaes já naõ ha muitos.
16 ElRey D. Joaõ IV. mandou lavrar cruzados de prata com o valor de 400 reis, e meyos cruzados com 200 reis de valia. Depois foraõ subindo até o reinado delRey D. Pedro II. que levantou os cruzados a seis tostões, e os meyos cruzados a tres tostões, mandando tambem lavrar cruzados novos de prata com o valor de 480, e meyos cruzados com o de 240, a que presentemente chamamos doze vintens, e que ainda correm nos nossos tempos.
17 Dinheiro. Foy moeda de cobre, que tinha de huma banda a Cruz da Ordem de Christo com duas estrellas, e duas meyas luas nos vaõs, e a letra A. Rex Portugaliæ: da outra parte tinha as cinco quinas com a letra: Algarbii. Valia hum ceitil menos hum decimo. Destes dinheiros faz mençaõ a Ordenaçaõ velha liv. 4. tit. 1. §. 17.
18 Dobra. Moeda de ouro de varias castas: Portuguezas, Castelhanas, Mouriscas, ou Barbariscas. As Portuguezas chamavaõ-se Cruzadas, que mandou lavrar ElRey D. Diniz com o valor de 270 reis: outras se chamaõ Dobras delRey D. Pedro, e valiaõ 147 reis. Das Dobras Castelhanas havia humas, que se chamavaõ da Banda, por serem lavradas por ElRey D. Affonso XI. de Castella, e tinhaõ de huma parte a banda, insignia da Ordem Militar, que o mesmo Rey instituio, e valiaõ 216 reis: com este nome faz dellas mençaõ a Ordenaçaõ velha liv. 4. tit. 1. Tambem se chamavaõ Valedias, porque valiaõ, e corriaõ em Portugal. Havia outras dobras com o nome de Dona Branca, e outras Sevilhanas, que mandou bater em Sevilha ElRey D. Affonso o Sabio, e valiaõ 600 reis. Tinhaõ de huma parte ElRey armado a cavallo com a espada na maõ, e a letra em roda: Dominus mihi adjutor: da outra parte as armas de Castella, e Leão com o letreiro: Alfons. R. Castellæ, & Leg.[337] As Mouriscas, ou Barbariscas valiaõ 270 reis. ElRey D. Pedro I. mandou lavrar Meyas dobras com o valor de 73 reis e meyo.
19 Ducataõ de ouro. Quando ElRey D. Sebastiaõ foy a Guadalupe, mandou lavrar esta moeda: huma com o valor de quarenta mil reis, outra de trinta, outra de dez cruzados.[338]
20 Engenhoso. Foy moeda de ouro, que fez lavrar ElRey D. Sebastiaõ no anno de 1562 com o valor de 500 reis. Tinha de huma parte a Cruz com a letra: In hoc signo vinces; e da outra banda o escudo do Reino com a letra: Sebastian. I. Rex Portugal. Chamou-se esta moeda do Engenhoso, por assim se chamar Joaõ Gonçalves, natural de Guimarães, que fez o cunho. Ordenou o elle de sorte, que as moedas sahiaõ fundidas de pezo, e com hum circulo ao redor para naõ se poderem cercear.[339]
21 Escudo. Moeda de ouro com muita liga, que mandou fazer ElRey D. Duarte com a valia de 90 reis. ElRey D. Manoel a mandou desfazer.
22 Espadim. Houve neste Reino moedas com este mesmo nome de tres castas. Espadins de ouro mandou-os lavrar ElRey D. Joaõ II. com o valor de 320 reis. Tinha de huma parte o escudo do Reino com a letra: Adjutorium nostrum in nomine Domini; e do reverso huma espada empunhada com a ponta para cima, e em circulo o nome delRey. Em tempo delRey D. Manoel valia 500 reis. Espadins de prata, que mandou abrir ElRey D. Affonso V. com o mesmo cunho que os de ouro, só com a differença de ter a ponta da espada voltada para baixo. Chamou-se Espadim em memoria da Ordem da Espada, que instituio para a Conquista de Fez, como diz Severim.[340] Valiaõ 24 reis. Espadins de cobre prateados mandou bater ElRey D. Joaõ II. com o valor de quatro reis.
23 Forte. Com este nome mandou lavrar ElRey D. Diniz huma moeda de prata com o valor de dous vintens, ou quarenta reis; e meyos Fortes, que valiaõ hum vintem. Tinha hum, e outro de huma parte o habito de Christo com a letra: Dionysius Rex Portugal. & Algarb. da outra parte as armas do Reino, e a letra: Ajutorium nostrum in nomine Domini. Houve outros Fortes, e meyos Fortes, que fez bater ElRey D. Fernando em preço de 29 reis, que depois abateo a 16.
24 Frizante. Foy moeda de prata, que corria no tempo de nossos primeiros Reys, mas naõ se sabe de que valor era. A Monarquia Lusitana faz mençaõ desta moeda.[341]
25 Gentil. ElRey D. Fernando mandou lavrar esta moeda de ouro, mas de quatro castas. Havia Gentil de hum ponto, e valia 162 reis: Gentil de dous pontos 144 reis: Gentil de tres pontos 126 reis: Gentil de quatro pontos 116 reis. Fr. Antonio da Purificaçaõ[342] diz, que o Gentil delRey D. Fernando valia 720 reis.
26 Grave. Moeda de prata, que mandou bater ElRey D. Fernando do tamanho de meyo tostaõ, e valia 21 real. Tinha de huma parte a letra F, primeira do seu nome, e sobre ella huma coroa dentro em hum escudo, e nos lados duas Cruzes, com a letra na orla: Si Dominus mihi adjutor. No reverso tinha a Cruz de S. Jorge sobre hum escudo rodeado de quatro castellos, e o nome do Rey na cercadura.
27 Indios. Mandou ElRey D. Manoel no anno de 1499 lavrar esta moeda de prata com o valor de 33 reis em memoria do descubrimento da India. Tinha de huma parte a Cruz da Ordem de Christo com o letreiro: In hoc signo vinces; e da outra parte as armas do Reino com a letra: Primus Emanuel.
28 Justo. Esta moeda era de ouro, que mandou fazer ElRey D. Joaõ II. e valia 600 reis. De huma parte tinha o escudo Real já com as quinas direitas sem a Cruz de Aviz, e o nome delRey na cercadura; e no reverso tinha a effigie delRey sentado em hum throno com a espada na maõ entre dous ramos de palma, e a letra em roda: Justus ut palma florebit.
29 Leal. Era moeda de prata, que mandou fazer ElRey D. Joaõ II. com valor de doze reis. Tinha de huma parte a letra Leal por baixo de huma Cruz; e da outra parte o escudo do Reino com o nome delRey na orla.
30 Livra. Foy moeda lavrada em varios reinados, e de varias castas, donde procede a alteraçaõ de seu valor. A Livra de ouro em tempo delRey D. Diniz valia oito vintens: o mesmo valor tinha já no reinado delRey D. Affonso III. No tempo delRey D. Joaõ I. valiaõ pouco mais de 82 reis. A Livra de prata era de dous generos: Antigas, e novas. Havia livras antigas, por cada huma das quaes se haviaõ de pagar setecentas das novas, e assim valia cada huma das antigas 36 reis: e havia tambem livras antigas, por cada huma das quaes se pagava quinhentas das novas, e entaõ valia cada huma 25 reis. A Livra de cobre era de tres sortes; porque havia livra de dez soldos, que valiaõ tres reis e meyo: livras de dez livras pequenas, e valiaõ meyo real: livras de tres livras e meya, que valiaõ real e meyo, e corriaõ até o anno de 1407.
31 Maravedim, ou Morabitino. Foy moeda, que introduziraõ no Reino os Mouros Almoravides, ou Morabitos, que significa Fieis, segundo o mostra Aldrete.[343] Havia maravedim de ouro, que mandou lavrar ElRey D. Sancho I. com o valor de 500 reis. Tinha de huma parte a effigie delRey a cavalo com a espada nua na maõ, e pela orladura: In nomine Patris, & Filii, & Spiritus Sancti. No reverso tinha o escudo Real, e o nome delRey em gyro. Os maravedís Mouriscos naõ tinhaõ mais que huns caracteres, ou attributos de Deos de huma parte, e da outra, o nome do Principe, que os mandara abrir. Houve tambem maravedís de prata, que corriaõ com o valor de 27 reis.
32 Mealha. Naõ era moeda, que tivesse cunho particular, mas era metade da moeda, que chamavaõ Dinheiro, e valia meyo ceitil.
33 Nomeada. Moeda de prata, que fez lavrar ElRey D. Joaõ I. e seu filho ElRey D. Duarte. Naõ se sabe o que valia. Tinha de huma banda a Cruz de S. Jorge com a letra: Dominus adjutor fortis; e da outra o escudo do Reino com o nome delRey na circumferencia.
34 Patacaõ. Era moeda de cobre com o valor de dez reis, que mandou fazer ElRey D. Joaõ III. Tinha de huma parte o escudo Real coroado com o nome delRey, e da outra parte a letra X, com a inscripçaõ: Rex Quintusdecimus. Havia tambem meyos patacões com a letra V, que valiaõ cinco reis. ElRey D. Sebastiaõ reduzio esta moeda ao valor de tres reis.
35 Peças. Moeda de ouro, que corria no tempo do Infante D. Pedro, Duque de Coimbra. ElRey D. Joaõ II. a mandou desfazer.
36 Pé-Terra. Moeda de ouro, que fez lavrar ElRey D. Fernando com o valor de 216 reis.
37 Pilarte. Foy moeda de prata, que lavrou ElRey D. Fernando com o valor de treze reis, e dous ceitis. O nome de Pilarte foy posto em attençaõ, ou memoria dos pagens dos soldados estrangeiros, que lhe levavaõ os capacetes, ou barbudas, a que o Francez chama Pilartes.
38 Portuguez. ElRey D. Manoel, do ouro, que lhe vinha das Conquistas da Asia, fez lavrar humas moedas, que se chamaraõ Portuguezes de 500 ducados cada huma, e depois mandou lavrar outras, que valiaõ quatro mil reis. Destas houve tanta copia, que nas praças naõ se pagava por quasi todo o Reino com outra moeda, senaõ com a chamada Portuguezes de ouro.[344] Tinha de huma parte a Cruz da Ordem de Christo, e a letra em roda: In hoc signo vinces; e da outra o escudo Real coroado com as letras: E. R. P. A. C. U. A. D. G. que queriaõ dizer: Emmanuel Rex Portugaliæ, Algarb. q. Citra, Ultra Afric. Dommus Guineæ. Tinha outro letreiro por fóra junto à garfila, ou orla: C. C. N. E. A. P. I. que dizia: Comercio, Conquista, Navegaçaõ, Ethiopia, Arabia, Persia, India. ElRey D. Joaõ III. tambem os mandou lavrar da mesma fórma. ElRey D. Joaõ V. mandou lavrar em Lisboa no anno de 1718 Portuguezes de ouro de 22 quilates, e com o valor de 19200 cada Portuguez, os quaes foraõ sómente para se lançar nos alicerses da Real Igreja de Mafra. Tambem ElRey D. Manoel mandou fabricar Portuguezes de prata no anno de 1504, e valia cada hum 400 reis. A estes Portuguezes depois resuscitou ElRey D. Joaõ IV., e ElRey D. Pedro II. chamando-lhe Cruzados.
39 Quatro vintens. Mandou lavrar esta moeda de prata ElRey D. Joaõ III. que de huma parte tem o nome do Rey com coroa, e o numero LXXX. e na orla a letra: Rex Portug. & Algarb. Da outra parte tem a Cruz de S. Jorge com a sabida inscripçaõ: In hoc signo vinces.
40 Real. Esta moeda a mandou lavrar em prata varias vezes ElRey D. Joaõ I. sempre com o mesmo valor, mas cada vez de menor pezo. Os primeiros valiaõ nove dinheiros, os segundos seis dinheiros. Até o tempo delRey D. Manoel corriaõ Reaes de prata com o valor de vinte reis, e outros de trinta. ElRey D. Joaõ III. tambem os mandou lavrar com o valor de quarenta reis, e com os mesmos cunhos da moeda de quatro vintens, mudando o numero 80 em 40. A mesma moeda fez lavrar D. Joaõ IV. e he o chamado meyo tostaõ, que hoje corre. Havia Real de cobre de varias sortes: huns tinhaõ mistura de estanho, com que ficavaõ mais claros, e se chamavaõ Reaes brancos. Mandou lavrallos ElRey D. Duarte, e D. Affonso V. Os que se lavraraõ antes do anno de 1446 valiaõ dez ceitis. Havia outros Reaes chamados Pretos, por serem de cobre puro, e valiaõ pouco mais de hum ceitil. ElRey D. Joaõ II. para desterrar tanta confusaõ de Reaes, fez lavrar Real de cobre de seis ceitis. O mesmo fizeraõ seus Successores até ElRey D. Joaõ III. Tinhaõ de huma parte hum R, debaixo de huma coroa, e da outra o escudo do Reino com o nome delRey na orla. ElRey D. Sebastiaõ fez lavrar Meyos Reaes com a valia de tres ceitis: tinha de huma banda hum S coroado, e da outra hum R entre dous pontos.
41 Sinquinho. Moeda de prata delRey D. Joaõ II. e D. Manoel: valia cinco reis. O delRey D. Manoel tinha de huma parte os cinco escudos do Reino em Cruz com as letras: Emmanuel P. R. & Al. da outra huma malta com a mesma letra. Tambem ElRey D. Joaõ IV. fez lavrar Sinquinhos de prata.
42 Soldo. Foy moeda das mais antigas do Reino lavrada em ouro, prata, e cobre. A de ouro valia oito reales, ou dezaseis vintens: a de prata dez reis: a de cobre hum real. Este soldo em tempo delRey D. Joaõ I. chamava-se Moeda-Febre.
43 Talento. Corria esta moeda no governo delRey D. Sancho I. no anno de 1188, e valia quatro ducados, ou cruzados, e era de ouro.
44 Tornezes. Moeda de prata em tempo delRey D. Pedro I. Tinha de huma parte a cabeça delRey com barba comprida, e a letra: Petrus Rex Portugal. & Algarbii: da outra banda o escudo do Reino, e na orla a letra: Deus adjuva me. Valia treze reis. ElRey D. Fernando tambem lavrou Tornezes, que valiaõ oito soldos, ou quatorze reis.
45 Tostaõ. ElRey D. Manoel mandou bater esta moeda em ouro, e em prata. A de ouro era o quarto de ouro dos Portuguezes: a de prata valia cem reis. Tinha de hum lado a Cruz da Ordem de Christo com a letra: In hoc signo vinces; e do outro as armas do Reino com coroa, e o nome do Rey na orladura. Mandou lavrar tambem Meyos tostões com os mesmos cunhos, e letras, e valiaõ cincoenta reis.
46 S. Vicente. Moeda de ouro, que fez lavrar ElRey D. Joaõ III. com o valor de mil reis. Tinha de huma parte a imagem de S. Vicente com huma náo na maõ esquerda, e hum ramo de palma na direita com a letra: Zelator Fidei usque ad mortem: da outra parte o escudo Real com a letra: Joan. III. Rex Portug. & Algarb.
47 Vintem. Moeda de prata, que teve principio no tempo delRey D. Affonso V. e todos os mais Reys continuaraõ a mandar lavrar, ainda que com a fórma, e figura mudada, mas sempre com o valor de vinte reis. Em tempo dos Reys Filippes houve a moeda de meyo vintem em prata, que valia dez reis.
Dinheiro, que presentemente corre.
| Em ouro. | Valor. | Pezo. |
|---|---|---|
| Dobraõ de | 24U000 | 15 oitavas. |
| Meyo dobraõ de | 12U800 | 1 onça. |
| Dobra de 4 escudos | 6U400 | 4 oitavas. |
| Meya dobra de 2 esc. | 3U200 | 2 oitavas. |
| Moeda de ouro de | 4U800 | 3 oitavas. |
| Meya moeda | 2U400 | oitava e meya. |
| Escudo | 1U600 | 1 oitava. |
| Quarto de moeda | 1U200 | 54 grãos. |
| Meyo escudo | U800 | meya oitava. |
| Cruzado novo | U480 | 21 grãos. |
| Quarto de escudo | U400 | 18 grãos. |
| Em prata. | Valor. | Pezo. |
|---|---|---|
| Cruzado novo | 480 | 4 oitavas 59 grãos. |
| Doze vintens | 240 | 2 oitavas 29 grãos. |
| Seis vintens | 120 | 1 oitava 14 grãos. |
| Tostaõ | 100 | 1 oitava. |
| Tres vintens | 60 | 43 grãos. |
| Meyo tostaõ | 50 | 36 grãos. |
| Vintem | 20 | 17 grãos. |
| Em cobre. | Valor. |
|---|---|
| Moeda de | 10 reis. |
| Moeda de | 5 reis. |
| Moeda de | 3 reis. |
| Moeda de | 1 real e meyo. |
Por Ley do anno de 1732 prohibio ElRey D. Joaõ V. que se lavrassem Dobrões de doze mil e oitocentos, Moedas de quatro mil e oitocentos, nem outras, que excedaõ o valor de seis mil e quatrocentos reis; e que em todas, assim nas que corriaõ, como nas que se lavrassem, se pozesse a sarrilha, que tem as de prata.
Noticia, do valor, que tem tido o marco de ouro, e prata neste Reino em varios governos.
| Rey. | Metal. | Valor. |
|---|---|---|
| D. Sancho I. | Ouro | 6U480. |
| D. Pedro I. | Idem | 7U380. |
| Idem | Prata | U945. |
| D. Fernando | Idem | U900. |
| D. Joaõ I. | Idem | 2U600. |
| D. Affonso V. | Idem | 1U260. |
| D. Manoel | Idem | 2U280. |
| D. Joaõ III. | Ouro | 30U000. |
| Idem | Prata | 2U600. |
| D. Sebastiaõ | Idem | 2U400. |
| Idem | Idem | 2U680. |
| D. Henrique | Ouro | 40U000. |
| Idem | Prata | 4U000. |
| D. Joaõ IV. | Ouro | 42U240. |
| Idem | Idem | 51U200. |
| Idem | Idem | 55U680. |
| Idem | Idem | 80U000. |
| Idem | Prata | 3U600. |
| Idem | Idem | 4U000. |
| Idem | Idem | 5U000. |
| D. Affonso VI. | Idem | 4U400. |
| Idem | Idem | 4U600. |
| D. Pedro II. | Ouro | 85U312. |
| Idem | Idem | 96U000. |
| Idem | Prata | 5U600. |
| D. Joaõ V. | Ouro | 96U000. |
| Idem | Prata | 5U600. |