NOTAS DE RODAPÉ:
[497] Strab. liv. 15. Monarq. Lusitan. liv. 1. cap. 28. Yañes España en la S. Biblia part. 1. cap. 15. n. 3. e outros muitos.
[498] Estaço nas Antig. de Port. cap 33. n. 4. Paiv. Exame de antiguid. p. 120. Bochart. na Geograf. Sacr. liv. 1. cap. 34.
[499] Marian. tom. 1. liv. 1 cap. 18.
[500] Flor. do Camp. lib. 2. cap. 29.
[501] Monarq. Lusit. liv. 2. cap. 4. Far. Europ. Port. tom. 1. part. 1. cap. 9. num. 9.
[502] Liv. decad. 3. lib. 7.
[503] Sil. Ital. lib. 10. Resend. lib. 3. de Antiquit.
CAPITULO III.
Conducta dos Portuguezes no governo dos Romanos.
1 Assim continuava a soberania Romana em dominar Hespanha, que sendo até o anno 534 da fundaçaõ de Roma huma só Provincia Consular, pelos annos porém de 557 da mesma fundaçaõ, e 196 antes de Christo, foy dividida em duas Provincias Pretorias, ou Proconsulares, chamadas Ulterior, e Citerior. Naquella se comprehendia a Betica, e a Lusitania, isto he, Andaluzia, e Portugal: na Citerior todas as mais partes de Hespanha.[505]
2 Para exacto governo dellas eraõ enviados de Roma varios Pretores, ou Governadores fortalecidos com legiões de gente militar para presidio das terras, que hiaõ conquistando; porém como os Lusitanos mal soffriaõ o jugo Romano, foy preciso ao respeito dos Senadores para nos sujeitar à obediencia mandar tambem o Consul Cataõ Censorino, o qual usando de affabilidade, dominou os corações da nossa gente até o ultimo dia do seu governo, pois tanto que Scipiaõ Nasica lhe succedeo, logo se revoltaraõ como leões indomitos contra elle.
3 Inconstante fortuna experimentou Nasica no principio da sua Pretura; porém no fim a logrou taõ favoravel à custa dos nossos, que a sorte, mais que o esforço, o fez vencedor de cento e trinta e quatro bandeiras.[506] Mas naõ perdendo os Lusitanos já mais o acordo na desgraça presente, e appellando para o primeiro conflicto, souberaõ vingar a perda passada com destruiçaõ total do exercito Romano, que governava Lucio Emilio,[507] ruina, que por muitos dias continuos foy deplorada dentro em Roma, e até a vingança, que depois meditaraõ, foy mal succedida.
4 Continuavaõ os Pretores, e Consules o governo da Hespanha, os quaes ou abatidos, ou vitoriosos, sempre confessavaõ por formidaveis as armas Lusitanas, custando-lhe cada palmo de nosso terreno adquirido rios de sangue Romano. Entre os nossos Capitães, que deixaraõ resplandecente nome na veneravel duraçaõ da memoria, foraõ Apimano, Cesaron, Chancheno, Viriato, e Sertorio, cujas gloriosas proezas occupaõ até as Historias dos que pertenderaõ diminuirlhe a fama.
5 Aquelle espantoso terror, que o brio dos Lusitanos tinha semeada em Roma, chegou a produzir tal impressaõ nos animos de todos, que não havia nem Tribuno, nem Pretor, que se quizesse encarregar da guerra de Hespanha; e por acudirem pelo credito da Naçaõ, buscaraõ o caminho do ludibrio, que foy o da aleivosia, naõ sem escandalo do mundo. Assim se experimentou na morte de Viriato II. pela perfidia de Quinto Servilio, e na de Sertorio pela de Marco Perpenna.[508]
6 Seria alheyo da brevidade, que promettemos, particularizar acções, e successos dos Lusitanos: todas taõ benemeritas da honra, e da eternidade, como indignas de fama as que os Romanos obravaõ em nossos Paizes; e muitas vezes com o dolo, e malicia em taõ vulgarizadas operações, que mal podiaõ occultar a ignominia, que dellas lhes resultava, como aconteceo com Servio Galba, reprehendido no Capitolio pelas manifestas aleivosias, que usava com a gente Portugueza.[509]
7 Mais de duzentos annos tardou a conquista da Lusitania; e depois que se achavaõ nossas forças já lassas, e vigoroso o poder Romano, ainda assim foy preciso ao prudente Conselho dos Senadores para acabar de conquistar Hespanha determinar que se expedissem em diversos tempos dous famosissimos Imperadores, Julio Cesar, e Octaviano Augusto. Aquelle sendo o mayor guerreiro do mundo, padeceo innumeraveis resistencias dos nossos. Que cuidados, e desconfianças naõ causaraõ a Cesar os habitadores da serra da Estrella? Prenderaõ-lhe os Embaixadores, zombaraõ delles, e se naõ usara Cesar de alguns estratagemas, nem lhe domara a ferocidade, nem os vencera.[510]
8 Pouco tempo durava esta sujeiçaõ, porque os nossos com obediencia forçada, ainda que com forças diminutas, a cada passo se estavaõ rebelando contra os presidios Romanos, querendo antes expôr as vidas aos mayores empenhos da guerra, que renderem-se a quem lhe queria supear a liberdade; e como já tinhaõ perdido as esperanças ao socego da paz, era inconquistavel o seu animo, e orgulho.
9 Seguiraõ-se os incendios tambem na Hespanha das guerras civis entre Cesar, e Pompeo, e entaõ se acabou de ver que se ficavaõ triunfantes aquellas bandeiras, a cuja sombra militavaõ Portuguezes. Veyo finalmente Octaviano Augusto, e conseguida huma paz universal, se viraõ os Lusitanos totalmente sujeitos ao jugo do Imperio Romano. Em agradecimento desta tranquillidade offereceraõ muitas povoações nossas nas fabricas de alguns Templos, eternos elogios, que por acreditarem a duraçaõ, ainda o tempo gastando-lhe as pedras, lhe naõ pode consumir a memoria.
10 Dentro deste feliz, e pacifico silencio nasceo ao mundo a salvaçaõ delle Christo bem nosso; e depois de ter completado Octaviano trinta e seis annos de Imperio formal, se lhe seguio Tiberio, e successivamente outros Imperadores sempre com o dominio das nossas terras, as quaes com a cubiça dos legados fluctuavaõ em mares de turbulencia. Rompiaõ-se os montes para se desentranharem das suas veas o ouro, e a prata.
11 Alguns destes disturbios da ambiçaõ fez serenar a prudencia de Vespasiano, e de seu filho Tito, os quaes com generosa, e liberal affabilidade illustraraõ o Reino com obras, os vassallos com beneficios. A aspereza dos caminhos se vio reduzida a planicies suaves; os rios caudalosos vadeados com pontes magnificas; e toda a Lusitania para o seu bom regimen dividida em tres Comarcas, cinco Colonias, e tres Municipios.
12 Foraõ passando os annos, e as vidas de outros Imperadores, a quem nossos antepassados reconheceraõ vassallagem, até que no Imperio de Galieno começou a descahir a grandeza Romana,[511] experimentando mais lamentavel estrago em tempo de Arcadio, e Honorio pela invasaõ dos barbaros de Alemanha, que discorrendo sem piedade por todas as Provincias da sujeiçaõ de Roma, entraraõ a sepultar nas ruinas, que abrirão suas espadas, as glorias da Monarquia Imperial por tantos seculos triunfante, mas agora opprimida, e arrastada pelo decreto fatal da Providencia. Será conveniente antes que entremos a informar do estabelecimento do novo dominio, formar hum Catalogo chronologico dos Pretores, e Consules, que nos governaraõ, noticia, que em obsequio, e beneficio da Historia, se fará estimavel aos estudiosos.
Catalogo chronologico aos Pretores, Consules, e Pro-Consules Romanos, que vieraõ governar Hespanha desde a sua primeira divisaõ em Ulterior, e Citerior até o Nascimento de Christo Senhor nosso.
| Ant. de Chr. | Fund. de Roma | |
|---|---|---|
| 196 | 557 | Na Ulterior Marco Elio, ou Helvio. |
| Na Citerior Cneyo Sempronio Tuditano. | ||
| 195 | 558 | Na Ulterior, quinto Fabio Buteo. |
| Na Citerior Quinto Minucio Thermo. | ||
| 194 | 559 | Na Ulterior Appio Claudio Nero. |
| Na Citerior Paulo, ou Publio Manlio. | ||
| Com estes dous Pretores veyo tambem neste anno o Consul Marco Porcio Cataõ Censorino, o qual teve o governo em toda a Hespanha, e com felicidade, porque os Lisbonenses, e os de toda a sua Comarca lhe levantaraõ alguns padrões honorificos, e elle recolhendo-se a Roma riquissimo, introduzio no thesouro publico mais de quatrocentos mil cruzados em ouro, e prata, que extrahio das nossas terras; e para ter estas seguras na sua ausencia, antes que partisse mandou derribar os muros a quatrocentas Cidades, e Lugares fortes.[512] | ||
| 192 | 560 | Na Ulterior Publio Cornelio Scipiaõ Nasica. |
| Na Citerior Sexto Digicio. | ||
| Tiveraõ os Portuguezes neste governo grandes batalhas com os Romanos, e estes andavaõ taõ desconfiados, e Nasica taõ temeroso do valor Lusitano, que chegou a fazer votos a Jupiter pela vitoria, a qual com effeito alcançou, porque a fome, e fadiga dos nossos debilitou muito o nosso exercito, e com tudo custou-lhe sete mil e novecentos Romanos, que morreraõ no conflicto. | ||
| 191 | 561 | Na Ulterior Marco Fulvio Nobilior. |
| Na Citerior Cayo Flaminio. | ||
| 190 | 562 | Na Ulterior Appio Atilio Serrano. |
| Na Citerior Marco Bebio Pamfilo. | ||
| 189 | 563 | Na Ulterior Lucio Emilio Paulo. |
| Na Citerior Cayo Flaminio reconduzido. | ||
| Venceraõ os Lusitanos ao Pretor Emilio, matando-lhe seis mil Romanos. | ||
| 188 | 564 | Ficaraõ reconduzidos os mesmos Pretores, e Lucio Emilio alcançou vitoria dos Portuguezes. |
| 187 | 565 | Na Ulterior Lucio Bebio Divite. |
| Na Citerior Lucio Plaucio Hipseo. | ||
| Lucio Bebio morreo em Marselha antes de chegar a Hespanha, e assim os Consules mandaraõ para a Pretura de Portugal a Publio Junio Bruto. | ||
| 186 | 566 | Na Ulterior Cayo Catinio. |
| Na Citerior Lucio Manlio Acidino. | ||
| 185 | 567 | Os mesmos reconduzidos. |
| 184 | 568 | Na Ulterior Cayo Calfurnio Pison. |
| Na Citerior Lucio Quincio Crispino. | ||
| Os Lusitanos unidos com os Celtiberos ganharaõ a estes dous Pretores huma batalha, em que lhe mataraõ cinco mil homens. | ||
| 183 | 569 | Os mesmos reconduzidos. |
| 182 | 570 | Na Ulterior Paulo, ou Publio Sempronio Longo. |
| Na Citerior Aulo Terencio Varro. | ||
| 181 | 571 | Ficaraõ reconduzidos. |
| 180 | 572 | Na Ulterior Publio Manlio. |
| Na Citerior Q. Fulvio Falco. | ||
| 178 | 574 | Na Ulterior Lucio Posthumio Albino. |
| Na Citerior Tiberio Sempronio Graco. | ||
| O Pretor Posthumio teve huma grande batalha com os Bracarenses, a quem venceo depois de huma grande derrota no seu exercito. | ||
| 176 | 576 | Na Ulterior Tito Fonteyo Capito. |
| Na Citerior Marco Ticinio Curvo. | ||
| 174 | 578 | Na Ulterior Marco Cornelio Scipiaõ. |
| Na Citerior Publio Licinio Crasso. | ||
| Estes dous Pretores naõ chegaraõ a vir a Hespanha, e assim foraõ reconduzidos os antecedentes. | ||
| 173 | 579 | Na Ulterior ignora-se quem fosse neste anno o Pretor. |
| Na Citerior Appio Claudio Cento. | ||
| 172 | 580 | Na Ulterior Cneyo Servilio Cepio. |
| Na Citerior Publio Furio Filo. | ||
| 171 | 581 | Na Ulterior Marco Macieno. |
| Na Citerior Cneyo Fabio Buteo. | ||
| 170 | 582 | Na Ulterior Spurio Lucrecio. |
| Na Citerior Marco Junio. | ||
| 169 | 583 | Neste anno determinaraõ os Consules que houvesse na Hespanha huma só Pretura, ou Provincia, e assim elegeraõ para Pretor a Lucio Canuleyo. |
| 167 | 585 | Claudio, ou Marco Marcelo. |
| 166 | 586 | Publio Fonteyo. |
| 165 | 587 | Neste anno tornaraõ a dividir Hespanha em duas Preturas, e para a Ulterior veyo Cayo Licinio Nerva, e para a Citerior Cneyo Fulvio. |
| 153 | 599 | Na Ulterior Marco Manilio. |
| Neste governo floreceo hum insigne Capitaõ Bracaranse, chamado Apimano, a quem se seguio Cesaron, que ambos aterraraõ os Romanos. | ||
| 152 | 600 | Neste anno, conforme Orosio, foy Pretor Sergio Galba; mas Apiano Alexandrino diz que era Calfurnio Pison. |
| 151 | 601 | Neste anno foy Hespanha Provincia Consular, e para seu governo vieraõ os Consules Q. Fulvio, e Tito Anio. |
| 149 | 603 | Lucio Luculo, e Albo Posthumio Consules tiveraõ com os Celtiberos, e Vacceos algumas batalhas taõ mal succedidas, que causou em Roma tanto medo, que naõ havia quem quizesse vir militar para Hespanha; até que Publio Scipiaõ Emilitano, offerecendo-se voluntario, persuadio a muitos a que viessem. |
| No governo destes Consules diz Paulo Orosio, que acontecera aquella vil traição, que fez Servio Galba aos Portuguezes do Algarve,[513] e que refere a Monarquia Lusitana.[514] | ||
| 145 | 607 | No governo dos Consules Cneyo Cornelio Lentulo, e L. Mumio principiou a florecer o esforçado valor do segundo Viriato, dando mayor credito ao valor dos Portuguezes com as repetidas vitorias, que alcançava dos Romanos. |
| 144 | 608 | C. Vetilio, ou Marco Vetilio, Pretor da Hespanha Ulterior, foy vencido por Viriato. |
| 143 | 609 | Cayo Plaucio, Pretor da Hespanha Ulterior, tambem vencido por Viriato em muitas batalhas. |
| 142 | 610 | Claudio Unimano vencido por Viriato com grande infamia dos Romanos. |
| Neste governo obraraõ prodigios os Portuguezes. | ||
| 141 | 611 | Cayo Nigidio, a quem huns daõ o titulo de Pretor, outros de Consul, ficou vencido por Viriato no campo de Viseu em humas grandes vallas, que abrio para isso. Taõ atemorizados tinhaõ aos Romanos estes prosperos successos de Viriato, que lhes foy preciso para esta conquista de Hespanha duplicar os soccorros com exercitos Consulares. |
| 140 | 612 | Q. Fabio Consul usou crueldades com os Portuguezes. |
| 139 | 613 | Q. Fabio Proconsul expugnou muitas Cidades da Lusitania. |
| 138 | 614 | O mesmo reconduzido, e juntamente os Consules Cayo Lelio o Sabio, e Q. Servilio Cepio, que foy author do assassinio, e morte de Viriato;[515] e Joaõ de Barros diz, que Viriato fora morto no Lumiar, termo de Lisboa.[516] |
| 137 | 615 | M. Pompilio na Hespanha Citerior. |
| 136 | 616 | Decio Junio Bruto Consul fez pazes com os Lusitanos. |
| 135 | 617 | Neste anno sendo Proconsul o mesmo Decio, ou Decimo Junio Bruto, sujeitou ao seu dominio quasi toda a Lusitania, e na passagem do rio Lima lhe aconteceo com os soldados, que naõ queriaõ passar, o que fica referido na primeira parte pag. 127. fallando daquelle rio. A mayor resistencia, que experimentou este Proconsul, foy a que lhe fez a Cidade de Cinania. |
| 134 | 618 | Neste anno vieraõ a Hespanha o Consul Q. Furio, e os Proconsules Q. Metello, e Q. Pomponio. |
| 133 | 619 | M. Emilio Lepido Proconsul. |
| 132 | 620 | Scipiaõ Africano Consul com C. Fulvio Flaco poz hum apertado cerco a Numancia. |
| 131 | 621 | Neste anno vendo-se os Numantinos taõ fortemente cercados pelos Romanos, determinaraõ pôr fogo à Cidade, e morrer antes todos, que entregarem-se. Assim o executaraõ de sorte, que os Romanos naõ acharaõ cousa, de que triunfar, mais que do nome de Numancia. |
| 130 | 622 | Neste anno, e em alguns dos seguintes vieraõ a Hespanha varios Pretores, e Consules, cujos annos de seus governos naõ se podem produzir em chronologia certa. |
| 107 | 645 | Q. Servilio Cepio, ou Scipiaõ, triunfou dos Portuguezes. |
| 103 | 649 | Venceraõ os Lusitanos aos exercitos dos Consules P. Rutilio Rufo, e C. Manlio. |
| 100 | 652 | C. Mario IV. e Q. Luctacio Consules ficaraõ vencidos dos Lusitanos, e a Hespanha Ulterior em grande paz. |
| 97 | 655 | Lucio Cornelio Dolabella Proconsul da Hespanha Ulterior triunfa dos Lusitanos. |
| 92 | 660 | Publio Licinio Crasso Proconsul triunfa dos Lusitanos. |
| 79 | 673 | Neste anno floreceo o valor do Capitaõ Q. Sertorio, que fugindo de Sylla, seu inimigo Romano, veyo a Hespanha, e conciliando a vontade, e animo dos Portuguezes, venceo a muitos Capitães Romanos. Edificou varias obras em Portugal, principalmente Evora. |
| 75 | 677 | Neste anno veyo a Hespanha Pompeo Magno, a quem Sertorio venceo com grande credito dos Portuguezes. |
| 69 | 683 | Foy morto Sertorio em Evora atraiçoadamente por M. Perpenna, e outros conjurados. |
| 68 | 684 | Com a morte de Sertorio conseguio Pompeo que quasi todas as Cidades de Hespanha se lhe entregassem, ainda que à força de armas, e com bastante resistencia de outras. |
| 67 | 685 | Publio Pison Proconsul. |
| 62 | 690 | Neste anno veyo a Hespanha com titulo de Legado hum nobre mancebo Romano, chamado Cneyo Pison, ao qual mataraõ publicamente huns soldados Hespanhoes por industria de Pompeo. Tambem aconteceo neste anno hum notavel tremor de terra na costa de Portugal, e Galiza, com que se arruinaraõ muitos Lugares.[517] |
| 60 | 692 | Q. Calidio com titulo de Pretor de Hespanha destruio muitas companhias de Lusitanos. |
| 59 | 693 | Na Hespanha Ulterior Tuberon Pretor. Veyo por seu Questor C. Julio Cesar. |
| 58 | 694 | Na Hespanha Ulterior C. Julio Cesar Pretor fez sujeitar ao Imperio Romano a Lusitania, e Galiza; e recolhendo-se a Roma, foy feito Consul. |
| 57 | 695 | Veyo Pompeo a Hespanha, que ao depois administrou por Legados. |
| 56 | 696 | Publio Lentulo Pretor. |
| 54 | 698 | Q. Metello Nepos Proconsul. |
| 53 | 699 | Q. Cecilio Dentato. Houve em Portugal tanta fartura, que os mantimentos se davaõ quasi de graça. |
| 52 | 700 | Q. Cecilio Metello Neto. |
| 50 | 702 | Tuberon Proconsul. |
| 47 | 705 | Foy nomeado Pompeo para Pretor de ambas as Provincias de Hespanha, as quaes administrou por Legados, que foraõ Petreyo, Afranio, e M. Varro. Neste anno andavaõ em grande calor as guerras civis entre Pompeo, e Julio Cesar. |
| 46 | 706 | Sendo Julio Cesar Consul, e Dictador, regeraõ ambas as Hespanhas Q. Cassio a Ulterior, e o Proconsul M. Lepido a Citerior. |
| 44 | 708 | Q. Cassio Longino Propretor da Hespanha Ulterior summamente avaro, e cruel. |
| 43 | 709 | C. Trebonio Proconsul. |
| 42 | 710 | Q. Fabio Consul triunfou na Hespanha. Neste anno pelejando Julio Cesar contra os filhos de Pompeo, alcançou delles o triunfo junto da Cidade de Munda no Reino de Granada, em que os Portuguezes mostraraõ grande fidelidade a Pompeo.[518] |
| 40 | 712 | Q. Pelio Proconsul triunfa na Hepanha. |
| 39 | 713 | M. Emilio Lepido tambem alcançou vitoria na Hespanha. |
| 37 | 715 | Tomaõ os Lusitanos a Era de Cesar. |
| 35 | 717 | Cneyo Domicio Calvino Proconsul triunfa. |
| C. Norbano Flaco Proconsul triunfa. | ||
| 31 | 721 | C. Asinio Polion, discipulo de M. Tulio, ficou governando Hespanha na ausencia de Julio Cesar. |
| 26 | 726 | Vendo o Imperador Octaviano Augusto o pouco, que as armas Romanas tinhaõ conseguido em Hespanha pelo espaço de duzentos annos, determinou vir em pessoa, e dentro em quatro annos conciliou a paz em toda a Hespanha. Estando em Tarragona, gozou hum pleno dominio da honra Imperial. Muitos povos Portuguezes lhe dedicaraõ templos, e estatuas pelas mercês, e privilegios, que lhes concedeo, singularizando-se Evora, Mertola, Lisboa, e Santarem, mudando todas os seus nomes, que tinhaõ, em outro, que dissesse respeito aos favores recebidos; e assim Evora se principiou a chamar Liberalitas Julia, Mertola Mirtilis Julia, Lisboa Felicitas Julia, Santarem Julium Præsidium. |
| 2 | 750 | Neste anno mandou o dito Imperador, estando em Tarragona, publicar o edicto geral para se alistar toda a gente, que havia no mundo sujeita ao Imperio Romano, e pagar certo tributo, que era trinta e seis reis cada pessoa em reconhecimento da vassallagem. De Portuguezes se alistaraõ cinco contos e sessenta e oito mil pessoas cabeças de familias, cuja ordem se passou nas Chancellarias do Reino, chamadas entaõ Conventos Juridicos, e eraõ Merida, que hoje está fóra do territorio de Portugal; Béja, à qual acudia o povo de Alentejo, e Algarve; Braga para o povo do Minho, e Tras os Montes; Santarem para o da Beira, e Estremadura. |
| 1 | 751 | Neste anno se fez famoso hum Portuguez do Minho, chamado Corocota, que com certo numero de vadios inquietou varias terras, e o Imperador promettendo tres mil cruzados a quem o apanhasse, elle mesmo se lhe veyo offerecer, e o Imperador perdoando-lhe, o admittio para sua guarda. |
| Depois do Nascimento de Christo até os Godos naõ ha cousa memoravel, que pertença à Lusitania, mais que o acharse em huma socegada paz na obediencia dos Romanos. Até os tempos dos Imperadores Maximiniano, e Diocleciano durou o governo de Hespanha em Pretores, e Proconsules: no de Constantino houve outro estylo, porque se instituio hum Vigario do Imperio, a que obedeciaõ todos os Legados, e Regedores das Provincias, e o tal Vigario ainda reconhecia por Superior ao Prefeito do Pretorio, que residia em França, por estar no meyo das terras da sua jurisdicçaõ. Depois se começou a governar por Condes. Havia tambem alguns Regulos, ou Fidalgos, Senhores de Cidades, subditos ao Imperio Romano, qual foy Ont Comero, pay de Santa Engracia, e no tempo dos Godos Castinaldo, Principe de Nabancia, e Cathelio, Senhor de Norba Cesarea, e pay das Santas nove irmãs.[519] |