NOTAS DE RODAPÉ:
[221] Monarq. Lusit. tom 1. liv. 4. c. 8. Vasconcel. lib. 5. de Ebor. Municip.
[222] Strab. apud Resend. lib. 2. de Antiquit. tit. de Flumin. Duart. Nun. Descripç. de Port. cap. 21.
[223] Cardos. Agiolog. Lusitan. tom. 1. pag. 305.
[224] Fr. Leaõ, Benedictin. Lusitan. tom. 2. p. 15. Monarq. Lusit. liv. 14. cap. 5.
[225] Far. Font. de Aganip. part. 4. Eglog. 4.
[226] Macedo nas Flor. de Hespanh. cap. 2. excel. 2.
[227] Argot. nas Memor. do Arcebispado de Braga tom. 2. pag. 865.
[228] Cardoso Diccion. Geogr. tom. 2. pag. 613.
[229] Fonseca Evor. glor. p. 89. fin.
[230] Corograf. Port. tom. 3. p. 336. Bluteau tom. 1. do Suplem. ao Vocab. p. 315.
[231] Argot. nas Antiguid. da Chancellar. de Braga pag. 20.
[232] Mem. instr. tom. 1. pag. 204.
[233] Bochart. Geograf. Sacr. liv. 1. cap. 35.
[234] Brit. Monarq. Lusit. liv. 2. cap. 4.
[235] Virgil. liv. 7. Æneid. Silio Italico liv. 1. Lactancio Firmiano lib. 7. c. 22. de Div. Instit. & alii.
[236] Claudian. liv. 2. de Raptu Proserpinæ p. 218.
[237] Strab. lib. 10. e 14.
[238] Lucio Flor. liv. 2. cap. 17.
[239] Botelh. no 7. do Alfonso est. 31. Reys em a Nota 124. da Epistol. ad Jametem.
[240] Plinio lib. 33. cap. 7. Vitruvio lib. 7. cap. 9. Strab. lib. 3. Pompon. Mella lib. 3. cap. 1. Bochart. tom. 2. p. 626. Nicol. de Santa Maria na Chron. dos Coneg. Regrant. liv. 6. cap. 1. Maced. Poema Olisip. cant. 2. est. 80. Joaõ Salgad. nos Success. Militar. p. 40. D. Francisc. Xavier da Garma no Theatro de Hespanh. tom. 1. p. 76. Argot. Mem. de Brag. p. 105. e nas Antiguid. da Chancel. de Brag. p. 32. e outros, que deixo de allegar.
[241] Cam. Canc. 4.
[242] Mousinh. cant. 3. est. 38. do African.
[243] Veja-se a Monarq. Lusitan. p. 4. liv. 4 cap. 18. Joaõ Salgad. Success. Milit. p. 106. Corograf. Portug. tom. 2. pag. 2.
[244] Brand. na Monarq. Lusitan. liv. 9. cap. 27.
[245] Fr. Joaõ Fel. na Isagoge pag. 35.
[246] Duart. Nun. Descripç. de Port.
[247] Araujo Success. Milit. liv. 1. cap. 1. Benedictin. Lusit. tom. 2. p. 109.
[248] Cardos. Agiolog. Lusitan. tom. 3. p. 573.
[249] Costa, Corograf. Portug. tom. 3. p. 260.
[250] Cam. Canç. 12. est. 2.
[251] Benedictin. Lusitan. tom. 2. p. 256.
[252] Joaõ Salgad. Success. Milit. p. 108. Cardos. Agiolog. Lusit. tom. 2. p. 714. Santuar. Marian. tom. 3. p. 172.
[253] Gruter p. 162. n 4. Argot. nas Antig. da Chancel. de Brag. p. 108. e Joaõ de Barr. na Descripç. do Minho.
[254] Brand. na Monarq. Lusit. liv. 8. cap. 25. Benedictin. Lusit. tom. 2. pag. 299.
[255] Catul. Juven. Estaço, Ovid. e outros apud Macedo nas Flor. de Hespanh. cap. 4. excel. 2.
[256] Vasconcell. Histor. de Santar. part. 1. liv. 2. cap. 23.
[257] Plin. liv. 4. cap. 22. & lib. 33. cap. 3. Mela lib. 3. cap. 1. Ludovic. Nun. Hispan. illustrat. tom. 3 cap. 35. Rodrig. dos Sant Histor. Hispan. part. 1. cap. 3. Resend. lib. 2. de Antiquit. Vasconcel. Descr. Lusitan. p. 407. Duart. Nun. Descr. de Portug. p. 33. Nicoláo de Oliveir. Grand. de Lisb. p. 21. Joaõ Salgad. Success. Milit. p. 175. D. Francisc. Xavier de Garma no Theatr. de Hesp. tom. 1. p. 68. e outros muitos.
[258] Far. Font. de Aganip. part. 3. Canç. 5.
CAPITULO VIII.
Das Fontes mais notaveis.
1 Neste Capitulo fazemos só memoria daquelas fontes, que por alguma particularidade se fazem dignas de admiraçaõ; pois seria intentarmos hum quasi impossivel querer dar noticia de todas as que circulaõ por nossas terras, sendo verdadeiramente innumeraveis. Nós em outra Obra[259] já referimos algumas, e o Doutor Francisco da Fonseca Henriques em o seu curioso Aquilegio faz mençaõ de outras. Repetiremos outra vez as mais singulares, pois que assim o pede o assumpto, e a ordem, que seguimos, nomeando primeiramente para mayor clareza as terras, donde emanaõ, e onde correm.
2 Abrantes. Na distancia de quatro leguas desta Villa sobre a ribeira de Sor ha huma fonte, a que chamaõ da Fedegosa, a qual nascendo em mineral de enxofre tem qualidades frescas, e sara muitos achaques, que peccaõ em quentura. E no seu termo junto da Ermida de nossa Senhora do Tojo ha outra fonte de taõ excellente agua, que a mandaõ buscar para os doentes beber: e accrescentaõ os moradores huma cousa (diz a Corografia Portugueza, que para mim he incrivel) e vem a ser: que havendo algumas differenças sobre quem ha de encher primeiro, visivelmente se diminue a agua na mesma fonte.[260]
3 Aguiar de Sousa. Na Freguezia de S. Mamede de Val-Longo ha no mais alto da montanha hum poço muy profundo, que de Inverno secca-se, e de Veraõ tem tanta abundancia de agua frigidissima, que serve naõ só de regalo à gente, mas tambem aos milhos, que com ella se regaõ.
4 Alandroal. A fonte desta Villa he memoravel pela grande copia de agua, que expulsa, a qual dizem que se lhe communica de hum rio subterraneo. Formou aqui a natureza huma larga concavidade, a que os moradores chamaõ Algar, em cujo fundo se acha hum poço com bocal feito ao picaõ, e delle sahe huma levada de agua muito grande.[261] Nesta mesma Villa, na estrada, que vay para Terena, ha outra fonte, que naõ corre de Inverno, senaõ no Estio.[262]
5 Alcacer do Sal. Na herdade das Praxanas, distante duas grandes leguas da Villa, existe huma fonte, cuja agua he buscada de muitas leguas para remedio contra o mal da pedra; e tem as mesmas virtudes da que ha na Villa de Almada.
6 Alcanede. No termo desta Villa, e no Lugar dos Amiaes debaixo corre huma fonte, que bebendo da sua agua qualquer pessoa, que tiver sanguisugas na garganta, immediatamente lhas faz expellir, e se comprova com muitas experiencias.
7 Aljustrel. Em distancia de meya legua desta Villa, chegado à Ermida de S. Joaõ do Deserto, ha huma fonte de agua taõ azeda, que ninguem a bebe, nem ainda os animaes; porém tomada como medicina, serve de excellente vomitorio, e boa para lançar fóra sezões.
8 Almada. Nesta Villa ha huma fonte, cuja agua tem conhecida virtude para os achaques de pedra, e areas.[263]
9 Amarante. No campo chamado da Feitoria, que fica defronte do Convento de S. Gonçalo desta Villa, brota huma Fonte abundantes aguas, que tambem tem notoria analogia, e semelhante virtude à de Almada.
10 Ançaõ. Nesta Villa se acha huma fonte, que lança de Veraõ agua frigidissima, e pelo Inverno tepida. Tambem por experiencia se tem observado, que a sua agua bebida facilita os partos, e preserva dos achaques de pedra, e outras enfermidades.
11 Armamar. Huma fonte ha no termo desta Villa, que tem virtude as suas aguas para varias enfermidades. No sitio, onde nasce, ha muitas pedrinhas quadradas semelhantes àquellas, que vem da India, e se attribue, que a virtude, que tem a agua, será communicada das pedras.
12 Batalha. Perto desta Villa ha huma fonte no Lugar das Brancas, cuja agua com facilidade, e em breve tempo se transmuta em sal.
13 Besteiros. Fica este Lugar no termo da Villa de Anciães, e aqui existe huma fonte de agua taõ delgada, que com ella naõ se póde fabricar azeite.
14 Braga. Em distancia de hum quarto de legua desta Cidade, na quinta dos Religiosos de Santo Agostinho corre de huma fonte agua taõ fria, que no tempo mais ardente do Veraõ mal se póde aturar a maõ dentro della nem ainda em quanto se reza huma Ave Maria; e em poucos minutos reduz a vinagre hum frasco de vinho, se o meterem dentro della.
15 Bragança. Além de outras fontes, que ha nesta Cidade notaveis, ha huma na quinta de Val de flores, que a sua agua he efficacissima para facilitar a digestaõ, e abrir a vontade de comer.
16 Cadima. Ha aqui neste Lugar, que fica em distancia de Tentugal duas leguas, a celebre fonte chamada Fervença, de que fallaõ muitos Authores,[264] a qual sorve quanto lhe deitaõ dentro da voragem, que sempre está em continua fervura. A causa deste fenomeno he, porque alli ha alguma occulta cataracta, ou precipicio, como bem explica o doutissimo Feijó.[265] Tambem na Freguezia de S. Mamede, termo de Alcacer do Sal, donde dista quatro leguas, está da parte do Poente hum grande olho de agua, que corre para o rio Sado, o qual sorve tudo quanto lhe lançaõ dentro: chamaõ-lhe a Anceira.
17 Caldezes. Fica este Lugar no Concelho da Povoa de Lanhoso, e tem huma fonte chamada do Tojal da qual sahem misturadas com a agua muitas pedras quadradas, como já dissemos das de Armamar, e que tem a mesma virtude alexifarmaca.
18 Cano. Junto desta Villa ha huma fonte, a que chamaõ dos Olhos, porque em seu nascimento está sempre a agua fervendo, e tem a particularidade de converter sua agua facilmente em pedra as cousas, que lhe lançaõ dentro.
19 Castello de Vide. Entre a grande quantidade de fontes, que regaõ esta Villa, pois passaõ de trezentas, ha especialmente huma no arrebalde, que chamaõ da Mealhada, com a excellente virtude de livrar de dores nefriticas aos que costumaõ beber da sua agua: e no termo da Villa de Oiteiro ha outra, que dizem ter a propriedade, e natureza do vinho.
20 Coimbra. Perto desta Cidade, e no meyo da estrada poucas leguas antes de chegar a ella, está a celebre fonte de Alcabedeque huma das mais copiosas, que ha no Reino, cujo nome lhe deraõ os Mouros pela sua virtude, pois Alcabedeque na lingua Arabe quer dizer Agua de Deos. Elles que lhe sabiaõ o prestimo mais do que nós, a estimavaõ tanto, que fizeraõ junto della hum forte para a guardar. Veja-se a Corografia Portugueza no tom. 2. pag. 34.
21 Covilhã. Na cerca dos Religiosos de S. Francisco desta Villa está huma fonte de agua frigidissima; e já tem acontecido algumas vezes acharem convertido em vinagre o vinho, que mandavaõ aqui resfriar.
22 Envendros. Existe huma fonte no sitio do Alpalhaõ, termo desta Villa, cuja agua bebida no lugar em que brota, he ingrata ao gosto, mas estando em casa, se faz de bom sabor. Attribuem os moradores, que a causa de se viver aqui muito, e com saude, procede da boa qualidade desta agua.
23 Ervedal. Quasi chegado à estrada, que vay do Ervedal para Benavilla, termo de Aviz, corre huma fonte, que no mez de Outubro secca, e vindo Março torna a correr, e dura todo o Estio, por mais ardente que seja. Reduz tambem a pedra quanto lhe deitaõ dentro.[266]
24 Estremoz. A fonte da Lagoa, que ha na herdade dos Alens no termo desta Villa, tem a mesma analogia que a antecedente, pois secca-se de Inverno, e corre de Veraõ.
25 Ferreirim. Huma legua distante de Lamego, na cerca do Convento de Santo Antonio de Ferreirim, ha huma fonte de agua taõ fria, que tambem converte promptamente o vinho em vinagre.
26 Freixeda. Este Lugar, que fica no termo de Miranda, comprehende com admiraçaõ huma fonte de agua muito fria, e taõ corrosiva, que consome no espaço de meya hora a carne, que se lhe lança dentro, deixando os ossos esburgados.
27 Grandola. Da serra dos Algarves, que dista huma legua desta Villa, manaõ dous olhos de agua com duas propriedades bem contrarias, sendo irmãs no nascimento; porque as que sahem para a parte do Sul, saõ excellentes, e as que correm para o Norte, naõ ha quem as possa beber, e por isso lhe chamaõ agua azeda. De outro olho de agua, que sahe com mayor abundancia, se tem observado, que toda a terra, que banha a sua corrente, fica infrutifera, deixando tambem hum fortissimo gelo, por onde passa.
28 Guarda. Por baixo da Cruz da Faya nos limites desta Cidade emana huma fonte de agua fria com qualidades taõ nocivas, que passaõ a mortiferas.
29 Guardaõ. Fertilissimo he este Concelho de aguas admiraveis: tal he a fonte da Pipa junte da Povoa da Longera, a do Lugar das Paredes, a fonte das Amexieiras, a chamada das Donas, e outras de singular qualidade, que refere a Corografia Portugueza.[267]
30 Guimarães. Afastado da Villa para o Sul fica a milagrosa fonte de S. Gualter, cuja virtude para varias enfermidades faz attrahir muita gente, que ou bebendo, ou lavando-se em sua agua, experimentaõ conhecida melhoria.
31 Marmellos. He este hum Lugar, que fica no termo da Villa de Lamas de Orelhaõ, onde existe huma fonte de igual virtude curativa de varias enfermidades, que a experiencia tem mostrado infallivel.
32 Massouco. Junto da Igreja Matriz deste Lugar, que he do termo da Villa de Freixo de Espadacinta, ha huma fonte, a que chamaõ do Xido, a qual principia a correr do mez de Março por diante: e tem os moradores feito observaçaõ, que se o anno ha de ser fertil, expulsa muy pouca agua; e quando ha de ser esteril, brota com abundancia; e desta fórma vem a ser hum quasi reportorio para as gentes daquelles contornos.
33 Monchique. Com a mesma propriedade ha outra fonte neste Lugar, que fica no Algarve, a qual em Dezembro totalmente se secca. De igual singularidade se admira outra em Monforte, meya legua distante da Villa, a qual se secca no mez de Setembro, e em Mayo torna a rebentar com grande torrente. Em Monsanto tambem corre outra com as mesmas circunstancias do tempo.
34 Olmos. A fonte chamada do Gogo, que fica no termo desta Villa, lança agua de fórma, que faz fio como clara de ovo, e affirma-se ter virtudes medicinaes.
35 Ouguella. Bebem os moradores desta Villa a agua de huma fonte, que dizem naõ cria cousa viva dentro em si, senaõ sómente rãs. Saõ presentaneas para matar sanguisugas, e lombrigas. Se por acaso, ou inadvertencia poem a cozer legumes com esta agua, he escusado gastar tempo, porque nunca os coze.
36 Santarem. Nos limites desta Villa, e no Lugar de Rio-Mayor ha hum olho de agua salgada seis leguas distante do mar.
37 Sardoal. Aqui ha a fonte de Penha, que tem a circunstancia de naõ correr, senaõ tambem de Veraõ, e seccarse pelo Inverno. Tal he a providencia de Deos.
38 Serra da Estrella. Emana do sitio chamado Valderosim huma fonte de agua taõ fria, que em pouco espaço de tempo transmuta em vinagre o vinho, quando o querem resfriar.
39 Setubal. Tem a praça desta Villa huma formosa fonte, cuja agua he petrificante; por isso o seu aqueducto he aberto, para se desintupir desembaraçadamente.
40 Thomar. Em a Freguezia dos Formiguaes, que he do termo desta insigne Villa, e no Lugar da Quebrada rebenta de Inverno huma fonte com alguns olhos de agua, pelos quaes sahem alguns ouriços de castanha, naõ havendo dalli a tres leguas castanheiros.
41 Valverde. Só em dia de S. Joaõ Bautista lança agua huma fonte chamada por este motivo Santa, que existe neste Lugar do termo da Villa da Alfandega da Fé.
42 Vinhaes. Affirma-se que a melhor agua, que ha na Provincia de Tras os Montes, he a que existe no rocio desta Villa em huma fonte admiravel. Por mais que se beba della, nunca offende o estomago, e facilita muito a exclusaõ de areas, e pedra. No Lugar dos Casares, termo da dita Villa, ha outra fonte de agua taõ fria, que metendo-lhe dentro hum quarto de carneiro, o come todo sem lhe deixar mais que os ossos; e naõ faz damno aos moradores que della bebem.
43 Urros. Chamaõ à fonte, que ha nesta Abbadia da Comarca da Villa de Moncorvo, a fonte Santa, porque dizem que Santo Apollinario a fizera rebentar neste sitio; e muita gente se aproveita de suas aguas para algumas molestias, usando dellas com fé: mas naõ consiste aqui só a maravilha, porque estando huma legua distante do Douro, se communica de sorte com elle, que tambem se altera, quando elle se ensoberbece.
44 Com estas, e outras innumeraveis fontes enriqueceo a Providencia divina este nosso terreno, encontrando-se pelas Provincias do Reino aguas nativas de exquisitas propriedades, que se a alguns dos Leitores, ou estranhos, ou forasteiros, fizerem duvida, offerecemos a fé, e credito dos mesmos naturaes, que o affirmaõ, quando a verdade desta sincera narraçaõ naõ baste; pois o nosso objecto por agora naõ attende a sondar, nem a averiguar os occultos arcanos da natureza, como cousa impropria ao intento Geografico. O Doutor Francisco da Fonseca Henriques escreveo deste assumpto hum livro, que intitulou Aquilegio Medicinal, a que os curiosos podem recorrer.