Arrhas de D. Constança
«Dom Affonso pela graça de Deos Rey de Portugal e do Algarve a quantos esta carta virem Faço saber que eu querendo attendêr cumprir, e guardar aquello, que ante mim, e Dom Joam filho do Infante Dom Manoel he posto, e outorgado, e firmado em rezom do casamento de Infante Dom Pedro meu filho, e de Donna Constança filha desse Dom Joam, dó, e assino a essa Donna Constança a Cidade de Vizeu e Monte mayor o novo e Alanquer com todas sas Aldeas, e termos, rendas, jurdiçõens, direitos, e pertenças que as aja e pessua essa Donna Constança por sas arras, e donadio bem, e compridamente em toda sa vida asim como as melhor ouveram as Raynhas de Portugal e tiro de mim a posse que ei das dittas Cidades, e Villas, termos, e couzas sobreditas, e ponhoa na dita Donna Constança, para as aver, e possuir livremente no dito tempo como dito he, e demais conhosco e affirmo que a posse e tença que ora hei das ditas Cidades e Villas e couzas sobreditas que os ei e tenho em nome da ditta Donna Constança e por ella como uzofructuario até que ella per si ou per outrem filhe ou mande filhar a posse corporal da dita Cidade, Villas, e termos, e couzas sobredictas em testimonio desto mandei dar áa dita Donna Constança esta minha carta aberta, e sellada do meu sello. Dante em Lisboa sette dias de julho ElRey o mandou Pero Esteves a fez era de mil e trezentos e settenta e outo annos ElRey o vio.» (Tomo 1.ᵒ das Provas da Hist. genealogica da Casa Real, pag. 285.)[54]
O tumulo de D. Constança foi profanado, não existindo hoje as suas cinzas. O sarcophago encontra-se no Museu Archeologico de Lisboa, estabelecido no Convento do Carmo, obra do Condestavel D. Nuno Alvares Pereira.
É digna de notar-se a sorte das duas mulheres de D. Pedro I; D. Constança, violado o sepulchro, nem lhe escaparam as cinzas á avidez dos profanos; Ignez de Castro, coroada depois de morta, repousando tranquillamente n’um mausoleu que photographava a grandeza do amor do seu principe, tambem padeceu em 1810 as consequencias ferozes dos vandalos do seculo XIX. Triste sorte a das mulheres de Pedro I!...