Historia
Com a designação de San Felippe de Montevideo, o general Bruno Mauricio de Zavala, que desempenhava, em nome do governo hespanhol, o cargo de governador de Buenos-Aires, mandou delinear uma nova povoação, na embocadura do rio da Prata.
Em 24 de Dezembro de 1726, o capitão D. Pedro Millan, por nomeação do Governador, começou a abertura das ruas e a repartição dos terrenos para as primeiras edificações.
Oito familias, compostas por 33 pessôas, foram os primeiros povoadores da novissima localidade, que já em 1770 contava mil e cem habitantes.
As primitivas construcções eram de couro, com estacas, empregando-se a pedra, com cobertura de palha, nas melhores edificações.
A 1 de Janeiro de 1730, Zavala creou a primeira instituição de Montevideu, o Cabido, especie de municipalidade, composta de 9 membros. O fundador mandou cercar de muralhas a nova povoação.
O coronel José Joaquim de Viana, foi o primeiro governador civil e militar de Montevideu, nomeado em 1749.
Em 1796 inaugurou-se a primeira escóla publica, sendo construida a casa, para o seu funccionamento, em um terreno doado por D. Maria Clara Zavala de Vidal.
Ao alvorecer do seculo XIX, a população da nova cidade já era superior a 15:000 habitantes. Em 1807, Montevideu foi tomada pelos inglezes, sob o commando de Beresford, que muito pouco tempo depois a abandonaram, assignando a capitulação de Buenos-Aires.
A primeira eleição popular, livre, fez-se em 1808, para a Junta do Governo. No anno seguinte começou a evolução emancipadora, que em 1809 transformou-se em revolução, sendo abafada pelas tropas hespanholas, que até 1814 resistiram dentro dos muros da cidade, aos caudilhos da independencia nacional. Finalmente, em 1815, o general Artigas entrou em Montevideu, arvorando nas suas muralhas a bandeira oriental—uruguaya.
Dois annos depois, a capital foi tomada pelos portuguezes, em seguida á batalha de India Muerta, cujo effeito os combates de Rincon, Sarandi e Ituzaingó destruiram, voltando a famosa cidade á unidade nacional.
Desde 1 de Maio de 1829 que Montevideu é a capital official da Republica Oriental do Uruguay. Esta cidade foi uma formidavel praça de guerra e é hoje um grandioso centro civico e commercial. A primeira fortificação foi levantada dois annos antes da fundação da localidade, no intuito de resistir aos portuguezes, que em 1723 tinham-se apoderado da peninsula de Montevideu, abandonada pelos hespanhoes.
As muralhas, cuja construcção começou com a da cidade, communicavam com a Cidadella, elevada no local occupado hoje pela praça da Independencia. D’ahi seguiam até ao portão de S. Pedro, agora rua Vinte e Cinco de Mayo, entre Juncal e Cerro, e d’ahi até ao Cabo do Norte, na costa maritima. Ahi existia um cordão de baterias para proteger as Bóvedas, deposito de material de guerra.
O Cabo del Sur, completava as fortificações exteriores de Montevideu, que assim resistiu a um cêrco de nove annos, de 1843 a 1851, ao cêrco de Artigas, de 1812 a 1814. A batalha de Guayabos, ganha pelo general Artigas ás tropas hespanholas, deu-lhe não só, em 1815, a posse da cidade, como ensejo á proclamação da independencia nacional, perturbada, em 1817, pelos portuguezes, e consolidada pela conquista das Missões e pelos feitos de armas de Ituzaingó, Rincon e Sarandi.
Depois de quasi dois seculos de luctas pertinazes e gloriosas, começando pelas dos indigenas, que tornaram difficil a existencia dos primeiros habitantes, pretendendo mesmo destruir o primitivo nucleo civico, Montevideu é hoje uma grande cidade, residencia dos altos poderes da nação e destinada, pela admiravel situação geographica, pelo seu amplo e magnifico porto e pelo trabalho e patriotismo dos montevideanos, aos mais brilhantes destinos.