Imprensa

Em 1765, o vice-rei governador e capitão general do Rio da Prata e das provincias do Perú e do Chile, D. Manuel de Amat y Jumient, concedeu licença ao padre D. Mathias Roza, procurador geral da Companhia de Jesus, afim de estabelecer uma imprensa no collegio de Monserrat, da cidade de Cordoba, para facilitar as impressões dos actos litterarios e outras obras.

O prélo que havia, até então, n’essa jurisdição, era o de Lima, no Perú, a 1:200 leguas de distancia. Os jesuitas pagaram 100 pesos de licença e fizeram transportar, da Hespanha, o prélo e todos os seus pertences.

A permissão foi-lhes concedida com a condição de não imprimirem livro algum que tratásse das Indias, nem de papel sellado, nem do vocabulario ou lingua dos indios, sem prévia auctorisação das auctoridades superiores.

Pouco tempo depois foram expulsos os jesuitas e parou a imprensa de Cordoba, até que em 16 de Setembro de 1775, o vice-rei Vertiz officiou ao reitor de Monserrat, propondo-lhe a transferencia da imprensa para Buenos-Aires, o que teve logar no anno seguinte, pelo preço de mil pesos, tendo ella custado 2:000 duros aos padres de Loyola. Foi, ao principio, montada em uma casa velha, no local onde hoje funcciona o Collegio Nacional e Central, sendo pouco depois transferida para a esquina das ruas Bolivar e Moreno. Para o cargo de administrador geral da imprensa, foi nomeado D. José da Silva y Aguiar, pelo tempo de dez annos, a unica pessôa de Buenos-Aires que, ao tempo, entendia da arte typographica.

Em Maio de 1780 fez-se a primeira impressão, um formulario de nomeação para empregos de milicias.

O primeiro papel impresso que appareceu em Buenos-Aires, com o caracter de publicação periodica, foi em 1 de abril de 1801, o Telegrafo Mercantil, Rural, Politico, Economico e Historiografico del Rio de la Plata, fundado pelo coronel D. Francisco Antonio Cabello y Mesa. Era bi-semanal, de oito paginas 13×20, e muito mal imprésso na que então já se chamava Real imprenta de niños expósitos.

Seguiu-se-lhe o Semanario de Agricultura y Comercio, publicado por D. Hipolito Vieytes, em 1802, na mesma imprensa, porém melhor elaborado. Belgrano fundou, em 1810, o Correo de Comercio de Buenos-Aires, jornal politico, apesar do seu titulo.

No mesmo anno appareceu La Gaceta de Buenos-Aires, editada pela typographia de M. J. Gandarillos y socios, com melhor material e superiormente redigida por D. Mariano Moreno, insigne patriota.

Surgiram, até 1835, numerosos periodicos politicos, noticiosos e commerciaes, supprimindo-os o dictador Rosas, com excepção do seu orgão—La Gaceta Mercantil de Buenos-Aires, que se publicou de 1823 a 1852.

Derrubado o tyranno e proclamada a liberdade da imprensa, pela constituição de 1853, o periodismo entrou em nova phase, apparecendo numerosos jornaes diarios, semanarios e revistas, dos quaes os primeiros e os mais importantes fôram El Comercio, El Federal, La Avispa, El Correo Argentino, El Nacional, La Tribuna, La Crónica, El Orden e Los Debates.

Este ultimo começou a ser publicado em 1852 e resurgiu em 1857, sendo seu redactor, em chefe, o celebre general Mítre. Em 1862 mudou o titulo para La Nacion Argentina, e em 1870 para La Nacion, que ainda hoje ostenta, disputando a La Prensa, a gloria de ser o primeiro jornal argentino.

Actualmente publicam-se, em Buenos-Aires, mais de quatrocentos diarios, periodicos e revistas, sendo uns cem estrangeiros.

Além dos dois acima citados, os principaes são El Diario, El Pais, La Patria degli Italiani, La Razón, El Diario de España e El Tiempo.

Porém o melhor installado é La Prensa, que possúe um esplendido palacio, na Avenida de Mayo.

É em quatro pavimentos e remata-o uma torre-observatorio, á altura de 55 metros, com uma estatua que empunha um poderoso fóco electrico. Este monumental edificio foi mandado construir pelo dr. José Paz, fundador do jornal.

As principaes installações de La Prensa, além dos soberbos machinismos rotativos, movidos a electricidade e que imprimem 95:000 exemplares por dia, são a sala geral de recepção, espelhada, perfumada e luxuosamente mobilada, o salão de bilhar, o grande refeitorio, com rica e artistica mobilia, a bibliotheca, com 6:000 volumes, o museu de curiosidades, as officinas de photographia, a de photogravura, o salão de conferencias, decorado a pinturas douradas e a esplendidos lustres e as salas e aposentos para hospedes de distincção. O papel para impressão está depositado em dois subterraneos, abaixo do das machinas. Ha tambem um salão de esgrima e outras dependencias. Vários ascensores electricos communicam os diversos pavimentos entre si e com a torre-observatorio.

Das revistas e illustrações avultam Ilustración Sud-Americana e Caras y Caretas.

Em nenhum outro centro da intellectualidade universal o periodismo está mais adeantado e aperfeiçoado do que em Buenos-Aires.