Salubridade
A Bombaim sul-americana, como era classificada, na Europa, a cidade do Rio de Janeiro, desappareceu sob a alavanca demolidora do dr. Pereira Passos, ex-Prefeito Municipal, a competencia scientifica do dr. Oswaldo Cruz, Director Geral de Hygiene, e a collaboração de muitos elementos officiaes e particulares, que congregaram-se para dar batalha de exterminio á febre amarella e a outras molestias endemicas e epidemicas que afugentavam os immigrantes e os forasteiros, da perola das cidades mundiaes.
Só a febre amarella dizimára, á sua conta, em 1896, 2:929 habitantes da Capital Federal; dez annos depois, em 1906, os seus estragos reduziram-se a 42 vidas!
Hoje, póde affirmar-se que essa terrivel epidemia passou á historia sanitaria do Rio de Janeiro. A transformação da cidade pela abertura de grandes avenidas e pelo alargamento das velhas ruas coloniaes e, principalmente, as providencias energicas adoptadas pelo governo federal e pela municipalidade, isolando os enfermos, destruindo, pelo fogo, as habitações empestadas e dando caça implacavel ás larvas e aos mosquitos conductores e transmissores dos microbios febris, libertaram a formosa metropole brasileira da fama de necroterio universal e transformaram-na em uma das mais salubres capitaes do nosso globo.
Já em 1906 era a seguinte a estatistica comparativa da mortalidade nas principaes capitaes da Europa, da Asia e da America:
| Athenas | 30,9 |
| S. Petersburgo | 30,5 |
| Madrid | 28,0 |
| Lisbôa | 23,1 |
| Roma | 20,8 |
| Rio de Janeiro | 20,7 |
| Vienna d’Austria | 19,3 |
| Tokio | 18,9 |
| New-Iork | 18,3 |
| Paris | 17,6 |
| Berlim | 17,1 |
| Londres | 15,6 |
Actualmente, o Rio de Janeiro é, pelo menos, tão salubre como New-Iork e Paris.
Este assombroso resultado é uma das glorias mais refulgentes e impereciveis da administração republicana do Brasil.
A ultima estatistica official indica a mortalidade, no Districto Federal, de 16 por 1:000 habitantes, annualmente.
Para manter esta proporção consoladôra e acima de toda a espectativa, muito contribúe o abastecimento de aguas á capital da Republica, hoje consideravelmente augmentado e aperfeiçoado.
A distribuição do precioso liquido está a cargo da Inspectoria Geral de Obras Publicas, subordinada ao ministerio da Industria e Viação, e faz-se por 26 reservatorios, caixas, açudes e reprezas, que occupam situações elevadas dos seis districtos em que, para o effeito da distribuição, está dividido o Districto Federal. O primeiro reservatorio construido foi o do Pedregulho, em 1876, celebre pelas suas fendas, que custaram milhares de contos ao Thesouro. Só no anno de 1905 gastou o governo da União a somma de 20:000 contos para augmento do abastecimento de agua á cidade do Rio de Janeiro, arrabaldes e suburbios.
Actualmente é o Districto Federal abastecido, diariamente, da seguinte fórma:
Eis o quadro da mortalidade geral, no Rio de Janeiro, em 1906:
A mortalidade infantil é na proporção, média, de 150 por mil adultos.