Viação Urbana

A Estrada de Ferro Central do Brasil, a mais extensa e poderosa da União, ao partir da sua estação central, na praça da Republica, serve as zonas urbana e suburbana do Rio de Janeiro, pertencentes ao Districto Federal, até á estação de D. Clara.

N’esse perimetro, foi o seguinte o movimento geral, no 1.º trimestre de 1908:

1.ª classe:
1:487:884 viajantesRéis379:838:860
2.ª classe:
3:523:405 viajantesRéis583:641:700
Total—5:011:359 viajantes,
cujas passagens custaram
953:480:560

São 19 as estações d’esta Estrada, situadas no territorio do Districto Federal, 8 das quaes são tambem servidas por bondes, ou tramways electricos e a tracção animal.

A Estrada de Ferro Central do Brasil, que já tem em trafego 1:360:000 kilometros, liga a capital da Republica aos Estados do Rio de Janeiro, S. Paulo e Minas Geraes, e será prolongada aos Estados de Goyaz e da Bahia, a este pelo fertilissimo valle do grande rio S. Francisco.

Da estação de S. Francisco Xavier, suburbio fluminense, começa o trafego da Leopoldina Railway Company, que atravessa a zona federal de Irajá e dirige-se á cidade de Petropolis.

Da Ponta do Cajú, arrabalde do Rio de Janeiro, parte o material da Estrada de Ferro do Rio do Ouro, especialmente construida para o serviço de abastecimento de agua á colossal metropole, mas tambem transporta passageiros e carga, no percurso total de 60 kilometros e 247 metros, com 24 estações, até ao Rio S. Pedro, na serra do Tinguá.

A outr’ora Botanical Garden Rail Road Company, e desde 1882, Companhia Ferro Carril do Jardim Botanico, é a mais poderosa empreza de viação urbana da capital brasileira. O seu serviço publico teve inicio em Outubro de 1868, cinco annos antes de ser inaugurada, em Paris, a primeira linha de identico systema de viação, da Praça da Concordia a Sévres. A tracção da Jardim Botanico, foi mudada de animal para electrica em 1891. A sua estação inicial é na Avenida Central, e a principal é no extremo do Cattete; praça Duque de Caxias. Aqui bifurca-se ás Larangeiras e por Botafogo até á Gávea, seu ponto terminal, a 11:880 metros da Avenida Central. A bitola d’esta linha é larga de 1,ᵐ44. A extensão total das linhas d’esta Companhia, é de 79:000 metros.

A velocidade média é de 150 metros por minuto. É tambem esta empreza que serve os habitantes e visitantes das praias do Leme, Copacabana e Ipanema.

A Companhia Ferro Carril da Villa Izabel, serve os arrabaldes do Andarahy, Villa Izabel e Engenho Novo, communicando-os, por tracção electrica, com o centro commercial da cidade. A bitola é de 1,ᵐ44, partindo os seus carros da praça Tiradentes, para um percurso total de 49:000 metros. A mais extensa das suas linhas, a do Engenho Novo, attinge 11:650 metros de comprimento.

Esta empreza tambem serve os povoados suburbanos de Jacaré, Bocca do Matto, e Cachamby, ligando-os com as estações de Engenho Novo, Meyer e Todos os Santos, da Estrada de Ferro Central, em um percurso total de 10:000 metros e com a bitola de 1 metro, a tracção animal.

A Companhia Ferro Carril de S. Christovão, outr’ora Rail Street Company, mantem ainda a tracção animal e é a que possúe maior numero de linhas, que são as seguintes:

Do Largo de S. Francisco á Tijuca10:630ᵐˢ.
» » » » ao Jockey Club10:134»
» » » á Ponta do Cajú9:036»
» » » » Praça Marechal Deodoro7:194»
Do Largo de ao Rio Comprido5:845»
» » de a Itapagipe5:469»
» » de » Itapirú4:964»
» » de » Estacio de Sá4:203»
» » de » Catumby4:000»
Total61:435ᵐˢ.

As linhas do Uruguay, S. Januario, Fabrica das Chitas, Santa Alexandrina, Bispo, S. Francisco Xavier e Alegria, são intermediarias das anteriores.

A bitola é de 1,ᵐ35. A média do transporte annual é de 20:000:000 de passageiros, em 850:000 viagens.

A mais carioca, todavia, das emprezas de viação urbana do Rio de Janeiro, a que não transpõem os limites da cidade, é a Companhia Carris Urbanos, de tracção animal e bitola estreita, que deslisa o seu material por 15 linhas differentes.

Quatro partem do Boulevard Carceler, ou rua Primeiro de Março, em direcção ás praças da Carioca, Tiradentes e da Republica, terminando o seu trafego na praça Onze de Junho e nos extremos das ruas do Visconde de Sapucahy, Sant’Anna, Riachuelo e largo da Lapa.

Seis linhas teem o seu inicio na Praça Quinze de Novembro, junto da estação das barcas de Nictheroy, e seguem até á Saúde, Gambôa, Estrada de Ferro e Canal do Mangue.

Cinco linhas cruzam da Estrada de Ferro ao largo de S. Francisco de Paula, da Gambôa ao Arsenal de Marinha e do Largo da Lapa ao de S. Francisco. As linhas, estendidas, occupariam 70 kilometros, com a bitola de 0,ᵐ80. Regula transportar, annualmente, 34 milhões de passageiros.

A Companhia Ferro Carril Carioca, a tracção electrica, tem a sua estação central no largo da Carioca, que communica com o morro de Santa Thereza, Paula Mattos e Silvestre. É a mais pittoresca das linhas fluminenses, cuja belleza foi descripta no capitulo—Da Carioca ao Somaré.

E mais surprehendente de formosura natural será ainda quando estivér concluido o prolongamento ao Alto da Bôa Vista, na Tijuca. O percurso actual é de cêrca de uma hora de viagem. Era 1904 os carros d’esta empreza transportaram 1:134:787 passageiros, em 76:860 viagens.

Da Estrada de Ferro do Corcovado já nos occupamos no capitulo—Corcovado.

Além das já citadas, partem da Capital Federal as seguintes vias de communicação para o exterior:

—Barcas da Prainha a Mauá, isto é, do Rio de Janeiro a Petropolis.

—Barcas da Prainha a Sant’Anna de Maruhy, ou entre o Rio e Friburgo.

—Barcas da Prainha á Piedade, ou Therezopolis.

—Barcas da Companhia Cantareira e Viação Fluminense, serviço permanente e rapido entre a capital e a cidade fronteira de Nictheroy.

Ha uma dezena de companhias nacionaes e estrangeiras, de navegação, que communicam o Rio de Janeiro com os Estados maritimos da União e, directa e indirectamente, com todo o nosso planeta.