Imprensa

A primeira das potencias moraes que orientam as sociedades modernas, tem um dos seus principaes nucleos de expansão e influencia na grandiosa metropole brasileira. Se muitos e eminentissimos jornalistas que, no Rio de Janeiro, sublimaram a divina instituição da imprensa aos páramos da immortalidade, já desappareceram, materialmente, na frialdade dos sepulchros, a sua obra ficou e será uma das mais brilhantes fulgurações da gloria do Brasil.

Outros gigantes da penna e do pensamento os substituiram, e os rutilantes nomes de Ferreira de Araujo, Joaquim Serra, Machado de Assis, Arthur de Azevedo, Saldanha Marinho, Evaristo da Veiga, Ferreira de Menezes, José do Patrocinio e os de tantos outros sacerdotes da imprensa, reflectem-se em Ruy Barbosa, Quintino Bocayuva, Coelho Netto, Olavo Bilac, Ubaldino do Amaral, Nuno de Andrade, Sylvio Romero, Ferreira da Rosa, Edmundo Bettencourt, Eduardo Salamonde, Alcindo Guanabara, José Verissimo, Virgilio Varzea, Paulo Barreto e em outros muitos, para que sejam mantidas as gloriosas tradições do jornalismo fluminense.

O Jornal do Commercio, decano da imprensa fluminense; a Gazeta de Noticias; O Paiz; o Jornal do Brasil; a Noticia; A Imprensa; A Tribuna; o Correio da Manhã; o Diario do Commercio; O Seculo; O Correio da Noite e numerosos outros orgãos diarios, matinaes e vespertinos, e periodicos da opinião carioca, abrilhantam a intensa vida social da maravilhosa capital do Brasil e collaboram efficaz e incessantemente no movimento ascencional da nacionalidade brasileira para a meta dos seus gloriosos destinos.

O jornal é indispensavel ao fluminense, como parte integrante da sua propria natureza; elle o desdobra nas ruas, nos bondes, nos cafés, nas residencias e até durante as refeições; o que explica o extraordinario desenvolvimento de muitas emprezas jornalisticas do Rio de Janeiro que, além dos melhoramentos materiaes introduzidos nas suas officinas e patenteados nos seus periodicos, levantam soberbos palacios, para a propria séde, na Avenida Central e em outras das novas e grandiosas arterias da soberba metropole. D’entre elles destaca-se o do Jornal do Commercio, em via de conclusão, na Avenida Central, que brevemente substituirá o velho casarão onde, ha mais de meio seculo, está installado o primeiro jornal da America do Sul.

Dos semanarios illustrados, destacam-se o Fon-Fon, A Careta, A Semana Illustrada, O Degas, O Tico-Tico, para creanças, e O Malho, que é o de maior circulação.

A Leitura para Todos é uma revista mensal, propriedade da empreza d’A Tribuna, assim como o semanario Tico-Tico.

Dos orgãos vespertinos o mais lido é A Noticia, excellentemente redigido, como quasi todos os jornaes brasileiros. Os mais rendosos são o Jornal do Commercio, que tem feito fortunas, e o Jornal do Brasil.

Quintino Bocayuva, o principe dos jornalistas brasileiros, e talvez sul-americanos, está, infelizmente, arredado das pugnas da imprensa; mas o seu nome fulgirá, ainda por muitissimo tempo, como estrella de primeira grandeza.

Dos mortos, José do Patrocinio e Ferreira de Araujo eram organisações jornalisticas completas, e que fariam a gloria da imprensa dos mais adeantados paizes do globo.

Ha a citar ainda, O Diario Official, O Brasil Medico, Revista Medica, Revista de Engenharia, Kosmos, Os Annaes, A Rua do Ouvidor e Rio Nú. Diariamente apparecem e desapparecem publicações de varia indole.