BOCAGE

Mesmo por ordem do Ouvidor. Faz trez semanas que me aquartelei em Monforte, n'um destacamento do meu regimento. Esta manhã o sr. Juiz Ouvidor de Villa Viçosa, que está em correição na villa, saiu a Vayamonte, e trouxe comsigo uma escolta em que eu vim. Ha pouco chega lá um homem todo esboforido… Um criado ouvi que era… D'ahi a um instante o sr. Ouvidor manda-me chamar em pessoa, e envia-me com quatro soldados aqui, para proteger não sei que fidalga que vem de jornada… O encargo póde ser lisongeiro, mas confesso que o dava a todos os demonios quando deitei por esses fraguedos abaixo. Agora, encontrando-o, meu tenente, dou-me por pago de tudo… Informei-me, e disseram-me que se tinham recolhido n'esta casa os viajantes. (reparando) Que casa santo Deus!… Dá-me ares de ter escapado ao diluvio… Pois a mobilia!… Da arca de Noé a trouxeram para aqui, certamente!… E aquelle canapé… Que canapé!… Um canapé? Um monumento!…

«Quando a velha antiguidade
Dentro n'esta sala entrou,
Disse áquelle canapé:
Sua benção, meu avô!»