BOCAGE
Poucos me hão-de entender. Poucos me entendem com effeito. Mas entende-me o sr. Gonçalo Mendo… Sei já que entende.—Rica! Rica? E eu que lhe levo em troca?… Dirão que lhe procuro a riqueza!… Dirão que fiz do affecto um pretexto, do carinho um degrau, da paixão uma usura!… «A poesia áquelle serviu», repetirá contente por ahi a turba vilan dos malevolos e dos zoilos… Arrendou-a por contrato… poz a lyra a juros… vende mais caro o coração que as obras.»—Dirão isto, dirão… e Deus sabe o que mais… E o grande numero crê… e não poucos applaudem…—Vender-me, eu!… Eu, Bocage!… Vender o coração! vender a musa!… esta musa indomita e indomavel!… Oh! basta que o suspeitem!
GONÇALO (calorosamente)
Pois a taes considerações sacrifica a felicidade? Pois…