COMMENDADOR

Ha viver e morrer.—Homem, a commenda, bem sabe, apenas me chega para viver com decencia… e parcimonia.—Suetonio, e outros auctores, louvam a parcimonia como virtude; mas Terencio tem que a dureza da vida não é para gente adiantada… e eu sou da opinião de Terencio!—O morgado não ha-de querer que perca assim setenta moedas!

MORGADO (desconfiado)

Deseja alguma segurança?

COMMENDADOR (saboreando a pitada)

Quasi nada. O morgado faz-me uma escriptura de divida de trinta mil cruzados!… e sou eu que lhe hei-de pôr a data!

MORGADO (erguendo-se de subito e exclamando furioso)

Trinta mil cruzados! Dois annos de rendimento da casa de minha prima!…

COMMENDADOR (tranquillamente)

Não grite.—Ólhe se estivesse ahi alguem perto?

MORGADO (contendo mais a indignação)

Trinta mil cruzados para pagar setenta moedas!