COMMENDADOR
Estes papeis pertencem-n'os!
D. MARIA JOANNA (mais exaltada)
É a minha tia que pertencem. Sou eu que lh'os quero entregar!… Sou eu que devo entregar-lh'os!… Não me obriguem a…
GONÇALO (adiantando-se e interpondo-se com respeitosa serenidade)
Perdôe, sr.^a D. Maria Joanna Galvão… Uma senhora da sua qualidade não póde entender-se com estes senhores.
BOCAGE (com ironia mal dissimulada)
Estes senhores vão pôr já nas suas mãos os papeis que lhes não pertencem.
GONÇALO (com terrivel frieza, crescendo contra o morgado, que recua na sua presença)
O sr. morgado não ha-de querer desattender sua prima!—O papel?
BOCAGE (do mesmo modo ao commendador)
O sr. commendador de certo não falta ao respeito a uma dama.—O papel?
(O Morgado e o Commendador, tranzidos e suffocados, entregam os papeis aos homens que teem diante.)
GONÇALO (entregando reverentemente o papel a D. Maria Joanna)
Aqui está.
BOCAGE (idem)
Aqui está.