MARIA GERTRUDES

«Os roubos que me fez a má ventura!»

BOCAGE (vivamente aos poetas)

Este para mim. (repetindo immediatamente)

«Os roubos que me fez a má ventura!»

Eu deliro, Gertruria, eu desespero
No inferno de incertezas e temores,
Eu da morte as angustias e os terrores
Por ti mil vezes sem morrer tolero!

Pelo céo, por teus olhos te assevero
Que ferve esta alma em candidos amores:
Longe a riqueza, e os seus vãos favores,
Quero o teu coração, mais nada quero.

VOZES (diversas)

Bravo! Bravo!

BOCAGE (continuando arrebatado)

Ah! não sejas tambem qual é commigo
A cega divindade, a sorte dura,
A varia deusa, que me nega abrigo!

Tudo perdi; mas valha-me a ternura;
Amor me valha, e pague-me comtigo
«Os roubos que me fez a má ventura!»

(Grande explosão de applausos.)

2.^o E 3.^o POETAS

Bravo! bravo, Bocage.

1.^o POETA

Inimitavel!

3.^o POETA

Uma copia!

DIFFERENTES VOZES (em torno de Bocage)

Uma copia! uma copia.

COMMENDADOR (junto a Compadre Amancio)

Gertruria! Gertrudes!—Dava uma moeda de oiro só por uma copia d'este soneto.